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Trump justifica ataques após acordo com Irã: "Fui eu que matei o Soleimani"

Candidato republicano detalha bastidores de ação militar e projeta reflexos na navegação global durante cúpula do G7

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 14:42 • Atualizado em 17/06/2026 • 14:46

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump celebrou a costura de um acordo de paz com o Irã durante pronunciamento à imprensa no encerramento da cúpula do G7, na França, nesta quarta-feira (17). O político republicano relacionou o avanço diplomático a decisões estratégicas de seu governo anterior e detalhou os bastidores de ações militares no Oriente Médio.

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O caso Soleimani e liderança do Irã

O político norte-americano assumiu a responsabilidade direta pela morte da principal liderança militar iraniana dos últimos anos. "Fui eu que matei o general Soleimani. Se eu não tivesse o matado, provavelmente a gente não estaria agora falando sobre esse acordo”, declarou Trump.

O presidente avaliou o perfil do antigo oponente e as consequências de sua eliminação para a estrutura do país persa. “Ele era um gênio e ninguém conseguiu colocar outra pessoa no lugar dele. Eu conseguiria derrubar os caras difíceis. Eu até acho que eles são inteligentes, eu acho que eles são bem inteligentes, só que eles são muito radicalizados. Eles amam o país deles”, afirmou.

Trump também apontou uma desestruturação na cadeia de comando iraniana após as investidas americanas. “Ninguém fala que eu estou falando, mas eu acho que a primeira linhagem de líderes deles está toda morta. A segunda linhagem também e a terceira está quase toda morta. Francamente, eu acho que já há uma mudança de regime”, analisou. Ele completou dizendo que os iranianos “vão ver uma maneira diferente de liderar, uma nova maneira de viver que eles nunca foram expostos”.

Estreito de Ormuz e economia

A atuação militar, segundo o presidente, gerou reflexos imediatos na segurança de rotas de navegação mundiais e no mercado financeiro global. “Se não fosse eu, você não teria o Estreito de Ormuz aberto”, enfatizou.

Trump ressaltou o impacto que a falta de uma postura firme traria para as bolsas de valores mundiais. “O mercado não teria todo esse sucesso em níveis que nunca vimos antes. Os níveis estariam abaixando. Talvez estariam tão baixos, não tanto quanto em 1929, mas estariam muito baixos se não fosse por mim”, avaliou.

A estabilização da rota comercial na Península Arábica foi descrita pelo candidato como um processo longo e complexo. “Esse acordo não foi um acordo de três meses, foram anos para este acordo. Esses navios, com bilhões de dólares, estariam parados. Quando você vai, passa pelo estreito, passa pela costa, nenhum navio gosta de ter foguetes em direção a eles. As empresas queremos proteger os investimentos de bilhões de dólares que passam pelo estreito”, defendeu.

O republicano também vinculou as negociações externas ao comportamento econômico em Washington. “O mercado de ações está brilhante. Toda vez que fazemos algo, algo bom como 'vamos chegar a um acordo', o mercado sobe. E toda vez que dizemos algo ruim, algo como 'não vamos conseguir chegar a um acordo', o mercado desce. Isso diz alguma coisa”, destacou. Trump também citou melhorias no cenário doméstico dos Estados Unidos, relembrando problemas anteriores: “A gente tinha a pior inflação de todos os tempos em preços, em custos. Tudo está caindo agora. Você vai ver os números e eles vão ser incríveis”.

Acordo nuclear com o Irã

Trump teceu duras críticas à antiga gestão de Barack Obama na Casa Branca ao detalhar as novas bases das negociações sobre não proliferação de armamentos. “O Obama não seria capaz de fazer o que eu fiz. O que o Obama fez foi o JCPOA (Acordo Nuclear). O Obama deu muito dinheiro a eles. Olha, a gente não vai dar dinheiro para o Irã. Caso você se pergunte isso, não vamos dar dinheiro para o Irã, é apenas um memorando de entendimento”, explicou.

O mandatário deixou claro o tom impositivo das novas condições estabelecidas para o governo de Teerã. “E se esse memorando de entendimento se a gente não chegar no objetivo dele em 60 dias, a gente vai voltar a bombardear, não tem problema. Porque nós nunca vamos deixar o Irã ter uma arma nuclear. E eles concordaram em não ter uma arma nuclear, e você vai ver isso bem claramente no acordo de paz. Eles estavam enriquecendo o material debaixo da terra”, disse.

Trump relembrou o peso histórico que líderes internacionais deram à ação que paralisou a cúpula militar iraniana. “Então a gente fez e matou o Soleimani, um dos maiores eventos a acontecer no Oriente Médio. Eles dizem que em 50 anos, em 100 anos, foi o maior evento que aconteceu. O primeiro-ministro do Paquistão disse que é o evento mais importante que aconteceu na história. Ninguém pode acreditar”, relatou.

O presidente também revelou divergências com aliados de Israel na véspera da operação. “Três a quatro semanas atrás, o Netanyahu... o Netanyahu foi maravilhoso comigo, mas eles não queriam fazer esse ataque a Soleimani. A noite antes eles falaram que não queriam conduzir o ataque e eu tomei a decisão de continuar. Mas foi uma operação, uma aventura conjunta entre os Estados Unidos e Israel”, concluiu.