Band Jornalismo

Trump anuncia Kevin Warsh para o Fed sob clima de pressão

O executivo de 55 anos tem vasta experiência no mercado financeiro e já integrou o conselho de governadores do próprio Fed, inclusive na crise financeira de 2008

Da redação
DA REDAÇÃO

30/01/2026 • 11:19 • Atualizado em 30/01/2026 • 11:19

Sonia Blota
Redes Sociais:
Trump Casa Branca

Trump Casa Branca

Doug Mills/Reuters

Resumo

Anúncio da escolha de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve ocorre em meio à expectativa do mercado; executivo possui experiência na crise de 2008 e é visto como defensor de juros mais baixos, porém crítico de políticas expansionistas.

Interferências de Trump na autonomia do banco central americano, incluindo ataques públicos e investigação criminal sobre reforma da sede, geram dúvidas sobre independência institucional e aumentam pressão por queda dos juros.

Instabilidade provocada pelas ações da Casa Branca afeta mercados globais, valorizando ativos como ouro e moedas emergentes; Brasil aproveita fortalecimento do Real, com potencial para inflação mais baixa e redução dos juros, enquanto futuro econômico depende das decisões do Fed e da política americana.

O presidente americano anunciou que, nesta sexta-feira, revela o nome do novo presidente do Federal Reserve, o banco central americano. Segundo bastidores e as bolsas de apostas, o escolhido será Kevin Warsh. O executivo de 55 anos tem vasta experiência no mercado financeiro e já integrou o conselho de governadores do próprio Fed, inclusive na crise financeira de 2008.

Compartilhar

Warsh é visto como um defensor de taxas mais baixas de juros; por outro lado, critica políticas expansionistas da instituição. Ele é considerado uma opção menos radical do que outros nomes cogitados, que preferem uma queda mais agressiva dos juros americanos.

Crises de autonomia e investigação criminal

O banco central americano é independente, porém vem sofrendo ataques sem precedentes de Trump. O cenário tem colocado em dúvida, perante a comunidade financeira internacional, como vai ficar a autonomia da instituição e eleva os riscos de interferência na política monetária.

Além de grosserias diretas contra o atual presidente, Jerome Powell — a quem provoca toda hora dizendo que é "muito lento" por não baixar os juros mais rapidamente —, Trump, via Departamento de Justiça, abriu uma investigação criminal sobre a reforma de 2,5 bilhões de dólares na sede da autoridade monetária. A investigação é vista como mais um instrumento de pressão para forçar a queda dos juros.

Impacto global: O "espirro" americano e a gripe mundial

Ataques da Casa Branca ao Federal Reserve não geram apenas incertezas nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo, o que já levou líderes de bancos centrais ao redor do planeta a divulgar um comunicado conjunto em defesa de Powell.

Os Estados Unidos são a principal economia do mundo, e o dólar ainda é a moeda de reserva mundial, utilizada na maior parte das transações comerciais. Qualquer impacto na economia americana gera ondas de crise no mapa-múndi. As ações de Trump têm levado à desconfiança e à queda do dólar em relação à maior parte das moedas internacionais, incluindo o Real.

Essa desconfiança também tem levado ao aumento do preço de vários ativos financeiros. Vemos o ouro disparando, assim como a prata e outras commodities metálicas. As bolsas de países emergentes também têm recebido uma pequena parte do dinheiro que sai do dólar. Isso tem levado ao aumento dos índices nestes mercados; não é à toa que a Bovespa está acima de 180 mil pontos, apesar das incertezas da economia brasileira.

Oportunidade para o Brasil

Países emergentes normalmente se beneficiam da queda do dólar pelo canal financeiro e de investimentos. Com este movimento, ao menos no curto e médio prazo, o Brasil pode ter um vento soprando a favor. Um Real mais forte leva a uma inflação mais baixa e ajuda o Banco Central a baixar a taxa de juros, que está hoje nos estratosféricos 15%.

No longo prazo, o sucesso do novo presidente do Fed e da política econômica da Casa Branca — incluindo as tarifas comerciais — definirão o rumo da economia mundial. Como se diz: apesar da nova geopolítica com a ascensão da China, quando os Estados Unidos espirram, o mundo fica gripado.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber