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Trump diz 'com ceticismo' que vai revisar nova proposta do Irã

Presidente americano demonstrou ceticismo sobre proposta iraniana e demonstrou ceticismo sobre acordo

Da redação
DA REDAÇÃO

03/05/2026 • 13:55 • Atualizado em 03/05/2026 • 13:55

Donald Trump

Donald Trump

Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá revisar a proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas demonstrou dúvidas quanto à viabilidade de um acordo. A proposta de Teerã foi encaminhada a Washington na sexta-feira (1º), por meio do Paquistão.

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"Em breve vou revisar o plano que o Irã acabou de nos enviar, mas não posso imaginar que seria aceitável, pois eles ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos", escreveu o republicano, na noite de sábado (2).

Antes de embarcar no Air Force One, Trump disse a jornalistas que comentaria o tema posteriormente e que aguardava a versão final do texto iraniano. Pouco depois, publicou nas redes sociais que não via a proposta como aceitável, argumentando que Teerã “ainda não pagou um preço alto o suficiente” por ações atribuídas ao país ao longo das últimas décadas.

Veículos iranianos, como Tasnim e Fars, informaram que o governo do Irã enviou um plano com 14 pontos por meio do Paquistão, em resposta a uma proposta americana de nove pontos. O Paquistão já atuou anteriormente como mediador entre os dois países.

Trump já havia rejeitado outra proposta iraniana nesta semana. Apesar disso, as negociações seguem, e o cessar-fogo em vigor há três semanas permanece sendo respeitado.

O presidente americano também mencionou um plano para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural.

Presidente americano Donald Trump durante entrevista à jornalistas   Crédito: Reuters

Presidente americano Donald Trump durante entrevista à jornalistas   Crédito: Reuters

Saúde de ativista preocupa

A situação de saúde da advogada iraniana Narges Mohammadi, presa no país, é considerada crítica por familiares e por sua fundação, que apontam “risco muito alto”. Segundo relatos divulgados, autoridades iranianas estariam impedindo sua transferência para Teerã, onde poderia ser tratada por médicos de confiança.

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Mohammadi foi levada às pressas a um hospital em Zanjan na sexta-feira (1º), após sofrer um desmaio associado a problemas cardíacos. Familiares afirmam que seu estado se agravou nos últimos meses, em parte devido a agressões sofridas na prisão, em dezembro.

Equipes médicas em Zanjan solicitaram acesso ao histórico clínico antes de iniciar o tratamento e recomendaram a transferência para a capital. O marido da ativista, Taghi Rahmani, que vive na França, afirmou que o Ministério da Inteligência se opôs à realização de exames mais detalhados em Teerã.

Em nota, o Comitê Norueguês do Nobel pediu que as autoridades iranianas autorizem imediatamente a transferência, afirmando que a vida da ativista depende dessa decisão.

Mohammadi cumpre pena por acusações ligadas à segurança do Estado e propaganda contra o regime. Ela estava em liberdade condicional desde o fim de 2024 por razões médicas, mas voltou a ser detida em dezembro.

Embarcações no Estreito Ormuz   Crédito: Reuters

Embarcações no Estreito Ormuz   Crédito: Reuters

Pressão sobre navegação no Golfo

Os Estados Unidos alertaram companhias marítimas sobre a possibilidade de sanções caso realizem pagamentos ao Irã para garantir passagem pelo Estreito de Ormuz. A medida amplia a pressão no contexto da disputa pelo controle da região.

Segundo Washington, as restrições incluem não apenas transações em dinheiro, mas também ativos digitais, trocas informais e outras formas de compensação.

O Irã passou a restringir o tráfego na área após o início das hostilidades com Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, e chegou a oferecer rotas alternativas mediante cobrança.

Desde abril, forças americanas implementaram um bloqueio naval a portos iranianos. De acordo com o Comando Central dos EUA, dezenas de embarcações comerciais foram orientadas a alterar suas rotas.

Execuções por espionagem

O governo iraniano informou neste sábado que executou dois homens condenados por espionagem em favor de Israel. Segundo o Judiciário do país, eles teriam repassado informações confidenciais a serviços de inteligência israelenses, incluindo dados sobre autoridades e instalações estratégicas.

Nas últimas semanas, mais de dez pessoas foram executadas sob acusações semelhantes. Organizações de direitos humanos criticam a condução desses processos, apontando falta de transparência e limitações ao direito de defesa.