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Uso de IA para criar imagens falsas de nudez gera onda de denúncias

Ferramentas como o assistente Grok são usadas para gerar fotos falsas de crianças e adolescentes; especialistas cobram responsabilidade das plataformas e de sites

Da redação
DA REDAÇÃO

20/01/2026 • 19:56 • Atualizado em 20/01/2026 • 19:56

Grok, IA do X, gera imagens sexualizadas de mulheres e crianças

Grok, IA do X, gera imagens sexualizadas de mulheres e crianças

REUTERS

O avanço tecnológico das ferramentas de inteligência artificial (IA) tem impulsionado uma escalada de crimes de difamação e exploração sexual nas redes sociais. A facilidade de acesso a sistemas que geram imagens realistas a partir de fotos comuns permitiu a criação de conteúdos falsos de nudez, vitimando principalmente crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos. Nos últimos seis meses, o país registrou ao menos 17 denúncias formais envolvendo alunos de escolas públicas e privadas em dez capitais brasileiras.

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O uso do Grok, assistente de inteligência artificial da plataforma X (antigo Twitter), exemplifica como essas imagens são produzidas e compartilhadas sem restrições eficazes. A tecnologia permite que uma fotografia simples, tirada em ambientes cotidianos como o trabalho ou um passeio em família, seja manipulada para criar cenas de exposição sexual com realismo impressionante. O cenário é agravado pelo fato de que esse material falso pode ser disseminado em redes de pedofilia organizadas em comunidades digitais.

Desafios na proteção e responsabilidade das plataformas

A diretora da SaferNet, Juliana Cunha, alerta que muitas dessas plataformas são treinadas com conteúdos pornográficos e imagens impróprias, o que facilita a produção de materiais ofensivos. Como medida imediata de proteção, a especialista recomenda que pais e responsáveis mantenham os perfis de crianças e adolescentes fechados e evitem a publicação de fotos que exponham claramente os rostos dos menores.

Para a diretora de pesquisa do InterLab, Clarice Tavares, a geração de conteúdo sexual por IA deveria ser classificada como uma atividade de altíssimo risco e banida do acesso público geral. Ela defende que as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas judicialmente pela circulação desses conteúdos, embora o processo de responsabilização das plataformas ainda avance de forma lenta no sistema jurídico.

Como agir em casos de exposição

A orientação principal para as vítimas é a formalização imediata da denúncia. O procedimento deve ser realizado tanto dentro da plataforma onde o conteúdo foi identificado quanto em delegacias de polícia, solicitando a remoção urgente das imagens. A preservação de provas é essencial para que a rede social possa ser acionada judicialmente.

A estrutura de segurança digital deve seguir um rigoroso checklist para garantir que a informação chegue ao público de forma clara e segura. O título da matéria, por exemplo, deve refletir fielmente o conteúdo sem recorrer a sensacionalismos

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