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Uso de vape cresce entre jovens e vira preocupação para médicos e escolas

Cigarros eletrônicos viram dispositivo de inclusão normalizado pelas redes sociais

Da redação
DA REDAÇÃO

12/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 12/08/2026 • 07:00

O consumo de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, virou uma preocupação para médicos e educadores. Frequentemente utilizados em espaços discretos, como banheiros de escolas durante os intervalos, estes dispositivos representam hoje um grave desafio de saúde pública e um dilema social para jovens entre os 13 e os 17 anos.

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Para muitos adolescentes, o uso do dispositivo está ligado à necessidade de pertencimento e ao desejo de ser considerado "moderno" ou "descolado". Relatos indicam que aqueles que recusam o vape são rotulados de "caretas", transformando o consumo numa questão de estilo, apesar de a sua venda ser proibida no Brasil.

Segundo a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, as redes sociais, como o TikTok, desempenham um papel crucial na normalização deste hábito.

Dados do IBGE revelam a dimensão do problema: três em cada dez estudantes de escolas públicas e privadas, na faixa etária dos 13 aos 17 anos, já experimentaram o cigarro eletrônico. O estudo indica ainda que as meninas estão mais expostas, com uma taxa de experimentação de 31%, comparativamente a 27% entre os rapazes.

Diversas instituições de ensino têm investido em palestras e debates para travar o avanço da dependência. No Rio de Janeiro, educadores notaram mudanças no comportamento dos alunos após ações de consciencialização, com os próprios estudantes a alertarem os pares sobre os perigos.

Entre os efeitos imediatos observados pelos professores naqueles que utilizam o dispositivo estão a distração e a agitação excessiva.

Risco severo à saúde

Especialistas alertam que a libertação de nicotina pelo vape é superior à do cigarro convencional, o que acelera a dependência e aumenta drasticamente o risco de desenvolver câncer do pulmão.

A pneumologista Margarete Dalcomo faz um alerta dramático sobre a gravidade da situação, afirmando que a sociedade poderá enfrentar, pela primeira vez, uma geração de pais a enterrar os seus filhos por uma causa perfeitamente evitável.

É muito triste que pais e venham a enterrar seus filhos por algo perfeitamente evitável. É quase tão grave quanto enterrar um filho uma criança ou um adolescente por falta de vacina. --Margarete Dalcomo