A Polìcia Federal abriu uma investigação sobre o furto de materiais de pesquisa que ocorreu nas dependências do Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.
As amostras foram retiradas do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, classificado com nível de biossegurança 3 (NB-3).
O caso levou a PF a prender em flagrante, na segunda-feira (23), a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos. No dia seguinte, no entanto, a Justiça paulista concedeu a ela liberdade provisória.
O inquérito apura a prática de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prestou apoio técnico aos policiais na análise do material apreendido.
Por se tratar de material sensível de pesquisa, o manuseio e o transporte exigem condições especiais de segurança e acompanhamento técnico.
Investigação interna na universidade
A sindicância instaurada pela Reitoria vai levantar as circunstâncias do furto e eventuais responsabilidades administrativas dentro da universidade. A apuração interna ocorre em paralelo à investigação criminal conduzida pela PF.
Esse tipo de procedimento é previsto nos regulamentos da Unicamp para casos em que há suspeita de infração disciplinar envolvendo servidores ou docentes.
Suspeitos
As investigações começaram após uma aluna perceber o desaparecimento de amostras nos dias 13 e 24 de fevereiro. Segundo a PF, imagens enviadas pela Unicamp mostram que o marido da docente, Michael Edwards Miller, que também era aluno de doutorado na instituição, foi o responsável por retirar as amostras e entregá-las à professora.
A Polícia Federal localizou o material biológico em outro prédio do campus, na Faculdade de Engenharia de Alimentos. De acordo com o delegado André Almeida Azevedo Ribeiro, a professora teria tentado descartar o material alvo da investigação logo após o cumprimento do primeiro mandado de busca, realizado em um sábado.
Aguardam-se laudos da Anvisa e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para identificar exatamente quais vírus foram furtados do laboratório. A Unicamp colabora com as autoridades enviando imagens e informações que auxiliam no esclarecimento do caso.
Unicamp afirma que furto de vírus é um “caso isolado“
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) emitiu uma nota, neste domingo (29), onde afirma que o furto de vírus do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia foi um “caso isolado” e não envolveu organismos geneticamente modificados.
"Com relação à subtração de materiais de pesquisa do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, classificado com nível de biossegurança 3 (NB-3), a Universidade vem a público esclarecer que:
- Laboratórios NB-3 operam em conformidade com protocolos rígidos de segurança. O episódio ocorrido foi um caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas que estão sendo averiguadas no âmbito da investigação policial.
- Ao tomar conhecimento do fato, a Reitoria da Unicamp acionou imediatamente a Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que possibilitou a rápida localização e apreensão dos materiais subtraídos.
- Não há organismos geneticamente modificados dentre os materiais em questão.
A Universidade também esclarece que:
- A Unicamp é nacionalmente reconhecida por incentivar a formação de empresas de base tecnológica que se dediquem a transformar os resultados de pesquisas realizadas na Universidade em produtos e serviços que beneficiem a sociedade.
- A Incubadora de Empresas da Unicamp (Incamp), sob responsabilidade da Agência de Inovação Inova Unicamp, opera com toda a segurança jurídica necessária, atuando em concordância com a política de inovação da Universidade e o marco legal nacional de inovação. Possui certificação de máxima qualidade no Brasil, CERNE nível 4, expedida pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Sua atuação está restrita à capacitação de empreendimentos inovadores, não abrangendo a gestão, supervisão ou execução das atividades técnico-científicas que são conduzidas de forma independente por seus respectivos sócios.
- A empresa associada ao marido da docente suspeita de ter retirado os materiais do já mencionado laboratório sem a devida autorização participa do programa da Incamp, o que lhe permite apenas fazer uso de espaço compartilhado de escritório.
- A motivação da subtração de materiais, bem como o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas no caso, estão sob investigação conduzida pelos órgãos federais competentes.
- Uma sindicância foi instaurada na Universidade para averiguação interna.
É importante ressaltar, ainda, que a Unicamp é reconhecida em importantes rankings internacionais como a segunda melhor universidade da América Latina devido à qualidade de sua produção científica, e à excelência e comprometimento de seu corpo docente, de seus funcionários e de seus alunos, assim como pela formação responsável e ética de recursos humanos qualificados.
Reiteramos que a ocorrência em questão foi um caso isolado e, portanto, voltamos a público para reafirmar o nosso compromisso com a missão de promover o conhecimento para uma sociedade democrática, justa e inclusiva, com destaque à excelência no ensino, na pesquisa e na extensão.
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