O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou uma reunião entre Brasil e Estados Unidos, nesta quinta-feira (16), sobre a taxação extra aos produtos brasileiros exportados para aquele país.
Este será o primeiro encontro entre as autoridades dos dois países após a conversa entre Lula e o presidente Donald Trump, no início deste mês, na Assembleia-geral da ONU.
A conversa será entre o secretário de Estado Marco Rubio e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
Veja assuntos a serem discutidos no encontro
Um dos principais pontos da conversa entre os dois deve ser o tarifaço que foi imposto ao Brasil e que faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas.
No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%.
Porém, em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
Entre os produtos tarifados pelos Estados Unidos estão café, frutas e carnes. Ficaram de fora da primeira lista cerca de 700 itens (45% das exportações do Brasil aos EUA) como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes.
Impactos do tarifaço
Carne e café
Uma notícia positiva para a economia brasileira revela a resiliência do setor de exportações do país. Mesmo com o "tarifaço" anunciado pelos Estados Unidos há dois meses, que gerou grande preocupação, diversos setores conseguiram não apenas se adaptar, mas também prosperar ao redirecionar suas vendas para outros mercados.
Um dos exemplos mais notáveis é o da carne bovina. Embora as vendas para os EUA tenham caído, as exportações totais do produto bateram um recorde histórico em setembro, impulsionadas principalmente pela forte demanda da China e do México.
O setor de café também demonstrou uma surpreendente capacidade de adaptação: apesar de uma queda de 50% nos embarques para os Estados Unidos desde agosto, a receita total em dólares com a exportação de café cresceu 13%. O resultado se deve à diversificação de mercados, com o Brasil ocupando espaços deixados por concorrentes na Europa, e ao aumento do preço global do produto.
Dados gerais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ilustram esse movimento: entre agosto e setembro, as exportações brasileiras para os EUA caíram 18%. Apesar do cenário geral positivo, alguns setores sentem fortemente o impacto das tarifas. A indústria moveleira do Paraná, que tinha os EUA como principal cliente, sofreu com demissões em massa.
Segundo a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), a expectativa é de que se possa encontrar um acordo que proteja os interesses econômicos de ambos os países e crie novas oportunidades de negócios, com a possibilidade de redução ou exclusão de tarifas para cerca de 600 produtos brasileiros.
Peixe
A piscicultura brasileira, especialmente a produção de tilápia, que é um dos peixes mais cultivados no Brasil, enfrenta um momento decisivo devido aos desafios impostos ao setor, com a crescente importação de pescado da Ásia e ainda, a imposição de tarifas pelo governo norte-americano. Agora, os produtores nacionais estão em busca de novas estratégias para sustentar e expandir suas exportações.
A produção de peixes está a todo vapor para abastecer o mercado nacional e, se tem alevino no tanque, é porque foi feito um planejamento de produção. A tilápia é um dos peixes mais consumidos no Brasil, e Minas Gerais é um dos estados que mais contribui para essa produção, que tem alcançado mercados internacionais, principalmente os Estados Unidos.
Apesar do sucesso na exportação, que registrou um crescimento recorde em 2024, com um aumento de 138% em valor e 102% em volume em comparação ao ano anterior, os produtores enfrentam uma nova barreira: uma taxação de 50% imposta pelo governo norte-americano. Essa medida afeta diretamente 12% da tilápia mineira que tem os Estados Unidos como destino.
Calçados
Após o tarifaço americano sobre produtos brasileiros, o setor de calçados já sente o impacto: exportações despencam, fábricas reduzem produção e empresas começam a demitir.
Em Três Coroas (RS), uma fábrica entrou com pedido de autofalência nesta segunda-feira, acumulando uma dívida de R$ 18 milhões. A empresa, que chegou a fabricar quase 4 mil pares por dia, demitiu 77 funcionários.
A Abicalçados alerta que a sobretaxa nos Estados Unidos faz o calçado brasileiro perder competitividade frente à China. Em agosto, as exportações para os EUA tiveram queda de 17,6%, e 73% das empresas do setor registraram redução de faturamento.
Máquinas
O impacto do tarifaço americano já é sentido no Brasil pela indústria de máquinas e equipamentos. A estimativa é de prejuízo de R$ 23 bilhões por ano.
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