
Ataque dos EUA na Venezuela
REUTERS
Os EUA atacaram a Venezuela de madrugada e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, numa repetição da captura do presidente do Panamá, Manuel Noriega, em dezembro de 1989.
O presidente Donald Trump celebrou “a brilhante operação”, resultado de “muito planejamento bem feito, tropas excelentes e pessoas incríveis”, como escreveu na sua rede Truth Social. Na noite anterior, ele ameaçou o Irã, mas acertou mísseis em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e Guaira.
Não havia informações sobre mortos no ataque na manhã deste sábado (3). Nem de resistência às explosões que acordaram os venezuelanos a partir de 4 horas da madrugada. A Venezuela está armada com mísseis iranianos e russos, blindados chineses e alguns caças americanos F-16. Vídeos mostram helicópteros americanos voando em fila, livremente, a baixa altitude, sobre Caracas.
A única pergunta do New York Times a Trump, num telefonema de 50 segundos, foi se ele tinha autorização do Congresso para desfechar a operação. A resposta, ele prometeu, virá durante uma entrevista marcada para o início da tarde, em Mar-a-Lago, seu clube e residência em Palm Beach, na Flórida.
O Departamento de Estado acusava Maduro de liderar um regime narcoterrorista desde 2013, quando assumiu no lugar de Hugo Chávez, cujo mausoléu, no Quartel da Montanha, teria sido um dos alvos dos bombardeios.
O secretário de Estado Marco Rubio antecipou a resposta ao Times repostando o que escreveu em julho passado: “Maduro NÃO é o presidente da Venezuela e seu regime NÃO é um governo legítimo”.
Maduro foi indiciado nos EUA por corrupção e tráfico de drogas em 2020 e havia um prêmio de 50 milhões de dólares para quem desse informações que levasse a sua prisão.
Por isso, os comunicados americanos destacam que a polícia também participou da operação que envolveu a maior armada já reunida em águas centro e sul-americanas, com 15 mil fuzileiros navais, a Força de elite Delta e agentes da CIA. O combate ao terrorismo não precisa passar, obrigatoriamente, pelo Congresso.
Desde agosto, 115 pessoas foram mortas no Caribe e Pacífico em embarcações suspeitas de transporte de drogas, segundo acusou os EUA sem apresentar provas. Dois petroleiros também foram apreendidos.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, pediu aos EUA uma prova de que Nicolás Maduro está vivo. Não há detalhes de como ocorreu sua prisão, ele que trocava de cama e celular toda noite.
O Palácio Miraflores esteve cercado por tropas da Venezuela, todo o seu perímetro proibido. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, foi a TV pedir “que ninguém se desespere; que ninguém facilite as coisas para o inimigo invasor”.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, acusou os EUA de desferir “um ataque criminoso”, e exigiu uma “reação urgente” da comunidade internacional. O primeiro-ministro Espanhol, Pedro Sánchez, apelou “a todos a desescalar a situação e a agir com responsabilidade”, acrescentando que “o direito internacional e os princípios da Carta da ONU devem ser respeitados.”
Nos poucos telefonemas trocados com Trump, Maduro negociava a saída com vida da Venezuela, talvez para Moscou. Mas ele acabou sendo preso, o que altera o cenário, principalmente se ele for levado à Flórida para ser julgado.
Restam outras questões: quem vai presidir a Venezuela? Como ficarão os investimentos da estatal russa Rosneft no petróleo venezuelano, sob novo governo? O que fará o presidente Putin, que assinou um Acordo de Parceria Estratégica com Maduro, em novembro?
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