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“Cada hora, minuto conta”: venezuelano relata desespero após terremoto

Enquanto buscas digitais mapeiam dimensão da tragédia, jornalista venezuelano relata resgates feitos com "unhas e dentes" diante da falta de maquinário básico no país

Babi Fava
BABI FAVA

26/06/2026 • 20:09 • Atualizado em 26/06/2026 • 20:10

REUTERS TV/via REUTERS

Os dados do Google Trends movimentados pelos venezuelanos nas últimas 48 horas, revela uma tragédia que os balanços oficiais ainda não conseguem mensurar. Enquanto o governo interino confirma centenas de mortes após o "dupleto sísmico", o buscador mostra um país que parou de pesquisar a notícia para tentar mapear a própria sobrevivência.

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O termo que mais disparou no país foi "Venezuela te busca", um serviço voluntário de registro de desaparecidos que já conta com mais de 42 mil nomes cadastrados por famílias que buscam respostas em meio ao colapso das comunicações e do Estado.

Direto de Caracas, o jornalista venezuelano Iván Ernesto Reyes descreve um cenário onde a tecnologia é o único recurso em mãos vazias. "Vemos centenas de pessoas trabalhando incansavelmente, mas sem recursos. Tentam, na medida do possível, trabalhar em conjunto para levantar os escombros, mas sem máquinas não é fácil", relatou Reyes.

O testemunho do jornalista reforça que a letalidade do sismo veio, também, de uma infraestrutura que já operava no limite.

Infraestrutura "ponto zero"

A geologia explica os tremores na Falha de Boconó, uma das mais ativas da América do Sul, mas não justifica por que prédios modernos viraram pó. A resposta é econômica, uma vez que a construção civil formal na Venezuela opera hoje com apenas 1% de sua capacidade histórica. Anos de crise econômica e orçamentos restritos fizeram com que milhares de edifícios ficassem sem manutenção ou reforço antissísmico.

Tal fragilidade física reflete-se nas buscas angustiantes no Google. Além de procurarem por "alimentos não perecíveis" e "centros de coleta", que atingiram níveis recordes de interesse, os venezuelanos tentam entender sinais da natureza.

Termos como "por que o mar recua?" e "alerta de tsunami" dominaram as pesquisas no litoral, fruto do medo de um maremoto após o epicentro ocorrer no mar e das dificuldades de o governo emitir alertas em tempo real devido aos apagões.

Ajuda humanitária

A complexidade política da Venezuela, sob o comando da presidente interina Delcy Rodríguez após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, adiciona uma camada de dificuldade logística à crise. Embora os Estados Unidos tenham anunciado um pacote de US$ 150 milhões em assistência, a ajuda enfrenta barreiras físicas.

O Aeroporto Internacional de Maiquetía sofreu danos graves no teto e nas pistas, restringindo a chegada de aeronaves de grande porte. No solo, o sistema de saúde é o maior gargalo. Antes mesmo do sismo, os hospitais venezuelanos já operavam com 60% de déficit cirúrgico, enquanto em 91% dos centros médicos, os pacientes precisam levar seus próprios insumos para serem atendidos.

Quem noticia também é vítima

Um dos pontos mais sensíveis relatados por Iván Reyes é o impacto sobre os profissionais que tentam manter o fluxo de informação. Segundo ele, os próprios jornalistas locais estão trabalhando sob condições extremas. "Lembremos que os jornalistas tiveram suas casas afetadas, seus familiares, e mesmo assim estão indo para a rua trabalhar e estão fazendo a reportagem a partir dos locais mais afetados", destacou.

O comportamento digital nas redes sociais, como o Instagram, mostra que a sobrevivência virou um esforço de rede. Moradores usam a plataforma para pedir itens básicos de construção, como pás, picaretas e sacos para entulho, para acelerar os resgates onde o Estado não chega. Enquanto a ajuda internacional desembarca em pistas limitadas, a Venezuela tenta resgatar sua dignidade em meio aos escombros, provando que, em Caracas e La Guaira, cada minuto é decisivo.

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