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Governo: Fala de Flávio é "traição à pátria" e omitiu ligação com Vorcaro

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a postura do senador como eleitoreira e contrária aos interesses nacionais

Da redação
DA REDAÇÃO

07/07/2026 • 19:58 • Atualizado em 07/07/2026 • 21:07

O governo federal emitiu nota oficial nesta terça-feira (7) repudiando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O evento, aberto à sociedade civil e ao setor privado, discutiu a imposição de tarifas comerciais contra o Brasil, medida que vem sendo contestada pela gestão petista desde julho de 2025.

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Segundo a Secretaria de Comunicação Social, dos 34 brasileiros inscritos para a audiência, Flávio Bolsonaro foi o único a não se posicionar contrariamente ao ‘tarifaço’. Para o governo, o parlamentar optou por sugerir o adiamento das medidas com fins estritamente eleitoreiros, deixando de rebater alegações que o Palácio do Planalto considera infundadas.

Governo questiona motivações

A nota oficial aponta que, em sua fala, o parlamentar legitimou uma investigação que o governo brasileiro avalia como injusta contra empresas e trabalhadores nacionais. O Executivo também rebateu declarações de Flávio sobre a regulamentação digital, afirmando que o senador defendeu a revogação de decretos que visam coibir crimes digitais e a violência contra mulheres, medidas que, segundo o Planalto, são fundamentais para a ordem pública.

Além disso, a Secretaria de Comunicação acusou o senador de omitir vínculos de sua família com esquemas de corrupção e desvios de recursos, citando casos que teriam se originado durante a gestão de Jair Bolsonaro. O governo destacou que tem atuado em diversas frentes diplomáticas - incluindo reuniões entre o Itamaraty, ministérios e técnicos do USTR - para reverter as tarifas, enquanto, na visão do Planalto, o senador estaria tentando politizar o conflito comercial.

"Traição à pátria"

O tom da nota subiu ao final, quando o governo diferenciou o papel do parlamentar. De acordo com o texto, a divergência política é legítima em um sistema democrático, mas a ação de buscar apoio de uma potência estrangeira para pressionar o Brasil ultrapassaria os limites da oposição.

"Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", concluiu a nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Veja a nota na íntegra

O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil.

Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.

Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.

O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes.

Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.

Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários.

Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.

O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.

Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.

Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República