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Marinho critica punição de Moraes a Bolsonaro e compara com prisão de Lula

Decisão proíbe senador Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias após divulgação de mensagem

Da redação
DA REDAÇÃO

13/07/2026 • 16:55 • Atualizado em 13/07/2026 • 16:55

Bolsonaro em prisão domiciliar

Bolsonaro em prisão domiciliar

Adriano Machado/Reuters

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, criticou a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo período de 90 dias. A sanção foi motivada pela divulgação pública de uma carta escrita pelo ex-presidente.

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Para o líder oposicionista, a medida judicial representa uma interferência direta no cenário político nacional. Rogério Marinho avalia que o ato tem caráter “autoritário e desproporcional”, com o objetivo prático de “tornar Jair Bolsonaro incomunicável”.

"A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político", afirmou o congressista.

Perseguição e tratamento desigual

Rogério Marinho avalia que o posicionamento adotado por integrantes da Suprema Corte brasileira sinaliza uma quebra de neutralidade institucional. Na visão do parlamentar, o tribunal assume o papel de oponente do grupo político opositor.

"A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição", ressaltou o senador.

O congressista estabeleceu um paralelo com os eventos de 2018 envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marinho aponta que, mesmo no período de detenção, o atual chefe do Executivo manteve canais de comunicação ativos com seus correligionários.

"O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais", relembrou.

Defesa de igualdade jurídica

O líder da oposição afirma que o grupo não busca regalias nos tribunais, mas sim a aplicação uniforme da legislação vigente. Rogério Marinho condena a barreira estabelecida nas relações entre pai e filho.

"Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento", declarou o parlamentar.

Rogério Marinho equipara a suspensão das visitas a expedientes de exceção política. O senador adverte que o impedimento atinge não apenas o ex-presidente, mas também os cidadãos alinhados às suas ideias.

"Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa", concluiu o líder oposicionista.

Veja a carta na íntegra:

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político.

A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.

O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais.

Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.

Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa.

Senador Rogério MarinhoLíder da Oposição no Senado Federal