Band Política

'Não teria nem se acertasse na Mega-Sena', diz Valdemar sobre R$ 119 mi

Presidente do PL nega ter cota pessoal de emendas e afirma que valor bloqueado pelo STF é repasse distribuído pela bancada do partido

Da redação
DA REDAÇÃO

11/07/2026 • 19:43 • Atualizado em 11/07/2026 • 20:10

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, negou em entrevista à BandNews TV neste sábado (11) ter uma "cota" pessoal de emendas parlamentares e afirmou que os quase R$ 120 milhões bloqueados de suas contas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) correspondem ao volume de recursos distribuídos pela bancada do partido, e não a dinheiro que teria recebido.

Compartilhar

"R$ 119 milhões eu não teria nem se eu acertasse duas vezes na Mega-Sena sozinho. Isso não existe", disse o dirigente. Segundo ele, o valor é "o volume das emendas que nós distribuímos, que o líder separou com os deputados".

Valdemar admitiu atuar junto aos parlamentares, mas classificou a prática como trabalho político de aconselhamento. Afirmou que, quando um prefeito sem "padrinho" no Congresso busca recursos, ele encaminha o pedido como sugestão à liderança, que avalia e assina a destinação. "Quem assina isso é o líder, não é o presidente do partido", frisou.

O presidente do PL sustentou que a decisão de Dino nasceu de um equívoco. Para ele, o ministro teria interpretado que haveria uma cota reservada ao dirigente partidário, o que negou existir — segundo Valdemar, as cotas pertencem aos deputados e às comissões permanentes.

Ele citou como exemplo uma articulação em que pediu a parlamentares que destinassem verbas ao Hospital de Câncer de Barretos, há alguns anos, com adesão de boa parte da bancada.

Ao comentar a reação de aliados, Valdemar evitou endossar a tese de perseguição levantada pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência que classificou a decisão como perseguição a adversários de Lula.

O presidente do partido preferiu falar em "exagero" e comparou o caso ao tratamento dado ao líder do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e ao senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado. Para Valdemar, dirigentes deveriam ser chamados a se explicar antes de medidas ostensivas.

Ele também reclamou de não ter sido ouvido por veículos de imprensa na cobertura do caso e disse que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a ação do ministro, embora este tenha autonomia para decidir.

Valdemar celebrou o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que criticou a decisão em nota, e disse acreditar que o episódio não deve se desdobrar em investigações contra outros presidentes de partido. Segundo ele, o senador Rogério Marinho (PL-RN) já teria agendado conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre o tema.