A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs nesta quarta-feira (24) uma crise que estaria enfrentando com o seu enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ela, o parlamentar a teria humilhado e desrespeitado após discordarem sobre alianças políticas do partido.
Segundo Michelle, o conflito teve origem nas articulações para as eleições municipais de 2024 em Fortaleza. Michelle manifestou-se contra uma aproximação entre o candidato do PL, André Fernandes, e o ex-ministro Ciro Gomes.
Para a ex-primeira-dama, apoiar ou aceitar o apoio de Ciro no primeiro turno seria uma "traição aos valores" da direita, uma vez que o político cearense foi um dos principais articuladores da inelegibilidade de Jair Bolsonaro e desferiu ofensas graves contra a família, chamando os filhos do ex-presidente de "ovos de serpente".
O desabafo de Michelle, postado nas redes sociais dela, teve quase 30 minutos e destacou que ela apesar das desavenças, apoia a pré-candidatura de Flávio à Presidência da República. Já Flávio afirmou, ironicamente, após a divulgação do vídeo que: “Hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece”.
Veja as principais frases de Michelle:
Aliança do PL com Ciro Gomes
Ciro não terá meu apoio nunca! E, na minha opinião, não deveria ter de ninguém da direita que apoia Bolsonaro. Mas essa é apenas a minha opinião, e eu tenho o direito de tê-la.
Ciro Gomes já provou inúmeras vezes não ser confiável e ele não esconde isso. Semana passada declarou na revista Veja que Bolsonaro e Lula são iguais. É só uma questão de tempo para ele se voltar contra a direita. Todos foram avisados, em especial dentro do partido, e serão lembrados disso.
Durante a pandemia, ele insinuou que pastores e padres que prestassem assistência religiosa às pessoas deveriam ser presos. E quando vieram as arbitrariedades, as prisões, as condenações injustas do 8 de janeiro, incluindo a do meu marido, o Ciro Gomes se alegrou. É para se unir a esse homem que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita?
Não é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à ineligibilidade do meu marido. Durante a pandemia, numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo.
Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento, disse que Bolsonaro roubava gasolina, disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras, disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos, que eram ladrões, e deu a eles um apelido, ovos de serpentes nas estoides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu marido.
Desavença com Flávio Bolsonaro
Ele foi muito ríspido. Me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi.
Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tão agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides. E não foi só ele."
Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado.
Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado.
Os fatos são anteriores e não têm nada a ver com escolhas e cargos. Tem a ver com respeito e consideração. Mesmo depois de todas essas coisas, eu abençoei a escolha do Jair e a pré-candidatura do Flávio, nas mesmas redes sociais nas quais ele e os irmãos me atacaram, e onde também foi publicada a entrevista dele me chamando de desrespeitosa e autoritária.
Futuro político e Jair Bolsonaro
Para eles, tudo é política. E uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo. É importante entender que eu não mando recados. Quando eu tenho algo a dizer, digo olhando no olho como estou fazendo agora. Eu não gosto de mentiras, nunca gostei. O meu Deus é o caminho à verdade e à vida. E quem vive por ele não se agrada com as mentiras.
Meu futuro político está nas mãos de Deus. Ele providenciará tudo. E quando for o momento de decidir o que quer que seja, sou eu mesma quem falarei. Não preciso de porta-voz. Entendam, tudo isso que falei nesse vídeo aconteceu antes da indicação feita pelo meu marido.
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