Cerca de dois meses antes de ser preso nos Estados Unidos, o ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, apareceu em uma foto ao lado do influenciador bolsonarista Allan do Santos e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na qual o trio afirmava "estar livre" nos EUA.
"Não podemos retornar à nossa pátria, mas ao menos estamos livres! Em comum: seguir lutando por liberdade", escreveu o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fazendo menções a Allan e também a Ramagem.
No momento do registro, feito no dia 13 de fevereiro, o trio estava nos Estados Unidos, para onde fugiram alegando "perseguição" do Supremo Tribunal Federal (STF).
"São pessoas que já enfrentam mais de 3 anos a dor de não ver suas próprias famílias, esposas com contas congeladas sem explicação, salários bloqueados, impedidos de trabalhar e, pior, da noite para o dia sem ter como sustentar seus filhos", continua a postagem de Eduardo.
Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira, 13, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), conforme a Polícia Federal brasileira. Os motivos da prisão não foram detalhados.
O ICE é um serviço de policiamento da área de alfândega e imigração dos EUA que tem como objetivo combater a imigração ilegal sob a justificativa de manutenção da segurança nacional.
Ramagem fugiu para os Estados Unidos durante o julgamento da ação penal da trama golpista no STF. Eleito deputado federal em 2022, ele perdeu o mandato no fim do ano passado e foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado.
Para fugir do Brasil, o ex-diretor da Abin deixou o País por Roraima e entrou na Guiana de carro, de onde embarcou num avião para os Estados Unidos. O governo americano vinha resistindo a cumprir outras ordens de Moraes para extraditar aliados do ex-presidente que fugiram aos EUA, como o blogueiro Allan dos Santos, foragido desde 2021.
Eduardo Bolsonaro teve um interrogatório marcado para esta terça-feira, 14. Ele é réu por coação do Judiciário no período que antecedeu o julgamento da trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado.
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