
Cláudio Castro
Reprodução
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), divulgou um pronunciamento em vídeo, na noite desta sexta-feira (15), onde se disse indignado ao ser alvo de mandados de busca e apreensão durante uma operação da Polícia Federal, que investiga supostas fraudes no setor de combustíveis.
Castro afirmou que se mantém colaborativo em relação ao processo legal e enfatizou que sua trajetória é pautada pelo respeito às instituições jurídicas do país. Ele também rebatou o que chamou de "ilações irresponsáveis" e defendeu a lisura de seus atos, além de detalhar as ações de sua gestão contra grandes devedores tributários.
"Estou fazendo questão de gravar esse vídeo para dividir com vocês a minha indignação com a operação de hoje. Antes de mais nada, quero reafirmar que, assim como fiz em toda minha vida pública, nos anos em que governei o estado do Rio de Janeiro, me manterei inteiramente à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos necessários", declarou.
Castro sustentou ter a "absoluta convicção da lisura de todos os atos" praticados durante o período em que esteve no comando do Poder Executivo fluminense. Ele informou ainda que sua equipe jurídica já foi acionada para tomar as providências cabíveis em Brasília, visando contrapor formalmente os elementos que basearam a ofensiva policial.
Menção a Luís Roberto Barroso
O ex-governador sublinhou um aspecto que considerou "estranho" no andamento do inquérito. Ele criticou o fato de a medida ostensiva ter sido autorizada e executada antes que sua defesa pudesse analisar o teor completo da decisão que motivou a operação.
"No início da próxima semana, meu advogado irá a Brasília apresentar o memorial dos fatos imputados a mim e esclarecerá as ilações irresponsáveis apresentadas pela autoridade policial", adiantou Castro.
Na sequência, o político fluminense fez uma revelação sobre a cerimônia de abertura do procedimento que deu origem à investigação. "E pasmem: sabem quem abriu o evento sublinhado como algo criminoso pela autoridade policial? Nada mais, nada menos, que o presidente do Supremo Tribunal Federal, à época, ministro Luiz Roberto Barroso", argumentou, apontando uma suposta contradição na linha investigativa da PF.
Cobrança de devedores
Ao abordar a tese central da investigação —que apura se a estrutura do governo estadual teria sido usada para beneficiar irregularmente empresas do setor de combustíveis—, Castro argumentou de forma oposta. Ele afirmou que a Procuradoria-Geral do Estado atuou de maneira rígida para reaver os créditos tributários devidos.
“Sobre a empresa alvo da operação de hoje, todos sabem que é uma das maiores devedoras do país e possui passivos com praticamente todos os estados e com a União. Mas adivinhem só: qual é o único estado que conseguiu cobrar impostos devidos por essa empresa? O estado do Rio de Janeiro. E isso só foi possível graças a um grande esforço nosso para cobrar essa dívida, conseguindo garantir um acordo que já devolveu mais de um bilhão de reais aos cofres públicos."
Por fim, Cláudio Castro buscou desvincular sua imagem pública de qualquer relação de proximidade indevida com o grupo empresarial investigado. Ele explicou o contexto de uma viagem oficial em que esteve presente junto a representantes da companhia.
"Então, pergunto: quem estaria beneficiando devedores e, ao mesmo tempo, sendo o único a conseguir cobrar o pagamento de dívidas? Além disso, ao longo de todo nosso governo, a Procuradoria-Geral do Estado atuou judicialmente em diversas ações envolvendo não somente essa empresa, mas dezenas de outras que devem ao erário estadual. Ao analisarmos a ação que justificou a operação de hoje, vemos que também fazem menção a um encontro meu com o dono da empresa nos Estados Unidos. Absurdo!", exclamou.
Ele concluiu explicando que participou de um fórum promovido por uma das principais revistas semanais do país e que o empresário em questão era apenas o patrocinador privado do evento. "Eu não era a única autoridade brasileira convidada para o evento. Comigo estavam nesse evento diversas autoridades do Legislativo e do Judiciário brasileiro. A verdade é que antes mesmo da criação dessa lei, essa empresa já possuía um acordo de pagamento com o estado, o que prova que não há relação entre os fatos", encerrou.
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