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Erika Hilton diz que apoio do PL à escala 4x3 é ‘manobra covarde’

Declaração da deputada federal, autora de um dos textos sobre o fim da escala 6x1, foi feita durante comissão que deve votar redução da jornada de trabalho

Da redação
DA REDAÇÃO

27/05/2026 • 12:43 • Atualizado em 27/05/2026 • 12:46

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou, durante a Comissão Especial que debate o fim da escala 6x1, que o apoio anunciado pelo deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Casa, de apoiar a escala 4x3 é uma “manobra covarde”.

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A comissão especial debate o projeto de redução da jornada de trabalho se reúne nesta quarta-feira (27). A expectativa dos deputados é conseguir votar a parecer final do relator Leo Prates (Republicanos-BA) e que propõe a implantação da jornada de 40 horas semanas, além de dois dias de descanso na semana, sem redução dos salários.

“Chegamos hoje em um dia muito alegre para todos nós, para a classe trabalhadora, para os movimentos sociais, forças sindicais, deputados que sempre defenderam a dignidade do povo trabalhador, que sempre olhou para o povo trabalhador como um povo injustiçado que vive em uma escala de trabalho exploratória, desumana, que impede esse trabalhador de ter dignidade”, disse Erika Hilton.

“Nós recebemos com profundo espanto, mas não surpresa, a manobra covarde praticada pelo Partido Liberal (PL) de tentar enterrar aquilo que, com muito esforço, foi construído. Se hoje nós não estamos votando um texto que fala sobre 4x3, é porque eles ocuparam os plenários, as redes, para dizer que o fim da escala 6x1 era um absurdo. Para dizer que o trabalhador não merecia descanso, para mentir para os trabalhadores, dizendo que haveria repasse dos valores, haveria diminuição dos postos de trabalho, haveria queda no PIB”, acrescentou.

Para a deputada, agora, para tentar prejudicar o processo de votação, “desenterram isso para enganar o trabalhador brasileiro. “Eles sempre se colocaram contrário e nós estaremos aqui atentos e vigilantes para que esta manobra, para prejudicar o andamento do fim da escala 6x1 e para a manutenção da escala 6x1 não tenha espaço”.

“Hoje, os trabalhadores brasileiros e a sociedade sairão daqui contando e cantando uma vitória. Uma vitória da classe trabalhadora e uma derrota dos inimigos do povo. Derrota daqueles que vieram para tentar prejudicar o andamento dessa matéria”, finalizou a deputada.

O que diz proposta do relator?

O deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta, leu seu relatório por cerca de 3 horas e meia, defendendo a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanas, o fim da jornada 6x1, garantindo dois dias de folga na semana, além de definir a aplicação das medidas sem redução salarial.

A proposta é resultado da união de dois projetos: um do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que propunha a adoção de uma escala de 36 horas semanais em um prazo de dez anos, e da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que previa escala 4x3, com prazo de 360 dias para entrar em vigor. A partir deles, a comissão ouviu especialistas e a população para chegar ao relatório final.

O ponto mais controverso do projeto foi o tempo de transição até a aplicação total das mudanças. O centrão chegou a apresentar emenda substitutiva, durante o período de discussões da comissão, para que a jornada de 40 horas entrasse em vigor efetivamente em 10 anos, além de defender compensações fiscais de tributárias aos empresários.

A proposta final, no entanto, definiu a transição em duas etapas. Os primeiros dois anos de redução da jornada deve acontecer 60 dias após a aprovação da proposta, chegando a 42 horas semanas. A segunda etapa acontecerá depois de 12 meses após a primeira redução, alcançando as 40 horas semanais desejadas.

Já sobre uma possível compensação, o relator afirma entender “que inúmeros segmentos econômicos serão capazes de absorver parcela significativa da redução da jornada, sem repercussão substancial sobre seus custos empresariais”, apontando que muitos setores já trabalham com jornadas inferiores a 44 horas semanas.

Assim, a concessão de incentivos fiscais amplos e indiscriminados tende a produzir benefício econômico descolado do efetivo impacto da redução da jornada semanal de trabalho, resultando em renúncia arrecadatória excessiva, sem a adequada demonstração de sua necessidade e da estimativa do seu impacto. --Leo Prates

Participação de Motta e Lula

Na segunda-feira, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, afirmou ter participado da elaboração do relatório final, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que todos vêm três pontos apresentados pelo relator Leo Prates como inegociáveis. São eles:

  • A redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais;
  • O fim da escala 6x1, garantindo dois dias de folga para os trabalhadores na semana;
  • Fazer as duas mudanças sem acarretar redução de salário.

“Essas mudanças trazem para o trabalhador uma nova realidade”, afirmou Motta, que completou: “A transição será em um ano, não mais do que isso! Atende o apelo da classe trabalhadora, escuta o setor produtivo. Damos tempo para os setores se organizarem e garantimos essa redução. Isso foi decidido em consenso entre Câmara e governo federal".