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Julgamento de Nicolás Maduro nos EUA é proposto para junho de 2027

Documento enviado à Justiça americana traça cronograma do processo contra o presidente deposto da Venezuela; primeira audiência para tentar arquivar o caso deve ocorrer em setembro

Da redação
DA REDAÇÃO

22/07/2026 • 00:37 • Atualizado em 22/07/2026 • 00:37

Nicolás Maduro

Nicolás Maduro

Nicolás Maduro (Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters)

Procuradores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, fizeram uma proposta de data para o julgamento criminal no país. Maduro foi capturado em janeiro deste ano por tropas americanas em Caracas, acusado de tráfico de drogas e narcoterrorismo. Tanto Maduro quanto sua esposa, Cilia Flores, que também foi capturada, declararam-se inocentes.

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Julgamento de Maduro deve ficar para 2027

Segundo informações da Reuters, a proposta conjunta das partes é de que o julgamento aconteça em junho de 2027. Contudo, as partes podem pedir mudanças no cronograma.

A data foi sugerida em um documento judicial apresentado nesta terça-feira (21), um dia antes da realização da audiência do caso Maduro no tribunal federal de Manhattan, em Nova York. A previsão é que ele seja ouvido nesta quarta-feira (22), às 12h (horário de Brasília).

O documento esboça quais devem ser os próximos passos do caso criminal, considerado um dos mais importantes e de maior repercussão na história recente do país. O cronograma definitivo ainda será definido pelo juiz distrital responsável pelo caso, Alvin Hellerstein.

Promotores e Maduro também propuseram que a primeira rodada de recursos legais do presidente deposto para tentar conseguir o arquivamento do caso seja apresentada em 2 de setembro deste ano. O argumento que deve ser usado é o de imunidade estatal de Maduro, já que era chefe de um Estado soberano. Caso isso se concretize, a segunda rodada deve acontecer até 11 de janeiro, depois que os promotores entregarem provas das acusações a serem apreciadas pela defesa.

Relembre a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores

O presidente da Venezuela e a primeira-dama do país foram retirados de Caracas por Forças Especiais dos Estados Unidos na noite de 3 de janeiro de 2026. A etapa integrava a Operação Resolução Absoluta e levou a uma série de explosões na capital venezuelana, além de ataques marítimos e apreensão de navios petroleiros por parte dos EUA. Desde então, o país latino-americano é governado pela vice-presidente Delcy Rodríguez.

Maduro foi formalmente acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de liderar uma organização narcoterrorista: o Cartel dos Soles, classificado por Donald Trump como organização terrorista em novembro de 2025. Por este motivo, a administração de Trump afirma que as operações visavam proteger a segurança dos Estados Unidos e diz que o governo venezuelano supostamente facilitou o envio de grandes carregamentos de drogas para o país e manteve alianças com grupos armados de alcance internacional.

Maduro se declara "prisioneiro de guerra", e o governo da Venezuela criticou de forma veemente a captura do presidente, afirmando que a operação tinha como intuito o controle e a tomada de recursos estratégicos da economia do país, como minerais e petróleo. Um comunicado oficial da época chegou a afirmar que os Estados Unidos tentam impor uma "guerra colonial" para pressionar por uma troca de regime no país.

Maduro, que é socialista, tem relações conturbadas com Washington desde que chegou ao poder, em 2013. Os Estados Unidos engrossam o coro que contesta o resultado das duas reeleições de Maduro, uma em 2018 e outra em 2024, e o acusam de fraude. Desde 2019, o país não o reconhece como presidente legítimo da Venezuela.