O senador Flávio Bolsonaro (PL) deve se reunir nesta terça-feira (19) com a bancada do PL no Congresso Nacional para prestar esclarecimentos sobre as conversas vazadas com o banqueiro Daniel Vorcaro. No diálogo vindo a público, o parlamentar cobra recursos financeiros para a produção de um filme biográfico sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O comando do PL iniciou a semana em reuniões consecutivas no quartel-general eleitoral da pré-campanha à presidência. O principal foco de preocupação da cúpula partidária reside no potencial de desgaste político e na possibilidade de novos vazamentos de áudios que possam aprofundar as ligações entre o parlamentar e Daniel Vorcaro.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado repasses financeiros ao banqueiro. Contudo, após a divulgação do áudio cobrando os valores, o senador recuou, admitindo o contato, mas argumentando que a transação era respaldada por um contrato de confidencialidade. Ele alega que manteve um contato limitado com o empresário.
Para tentar conter os danos à imagem do pré-candidato, a estratégia traçada pelo partido consiste em apresentar uma frente unificada no Congresso. A legenda pretende demonstrar apoio irrestrito à sua pré-candidatura, ao mesmo tempo em que planeja intensificar as articulações a favor da criação da CPI do Master, dividindo o foco do debate político.
R$ 60 milhões e imóvel no Texas
A Polícia Federal rastreou movimentações financeiras significativas associadas ao projeto cinematográfico, intitulado “Dark Horse”. Segundo os relatórios da investigação, Daniel Vorcaro teria transferido cerca de R$ 60 milhões —de um montante total prometido de R$ 134 milhões— para o fundo Havenate.
A banca de investigadores identificou que o fundo recebedor dos recursos é administrado pelo advogado Paulo Calisto, que atua na defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Uma das principais linhas de suspeita da PF é de que o dinheiro de fomento ao filme estaria sendo desviado para bancar o sustento e as despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
A suspeita ganhou força após a PF identificar que outro fundo de investimentos, também sob a gerência do advogado Paulo Calisto, realizou a compra de uma residência avaliada em quase R$ 4 milhões no Texas, estado norte-americano onde o ex-parlamentar reside atualmente.
Defesa justifica custos e nega irregularidades
A cúpula ligada à produção do filme e a família Bolsonaro vieram a público para rebater as suspeitas levantadas pela Polícia Federal. O deputado Mário Frias (PL), que atua como produtor executivo do longa-metreagem, rechaçou a hipótese de que o patrimônio imobiliário pertença ao filho do ex-presidente.
"Claro que não é a casa do Eduardo. Existe o fundo... O fundo é construído com um objetivo. Qual é o objetivo do fundo? O filme. Nenhum recurso pode ser retirado do filme sem uma prestação de contas", declarou Mário Frias.
Eduardo Bolsonaro também defendeu o volume de capital envolvido na produção do documentário, alegando que os parâmetros financeiros adotados estão alinhados com o mercado internacional de cinema.
"É um filme que para quem não conhece vai falar: 'Esse filme é super caro'. Não, para os padrões de Hollywood não. O valor não é um valor exorbitante, é um valor até barato para os parâmetros de Hollywood", defendeu Eduardo.
Apesar da justificativa de mercado apresentada pela família, o valor de R$ 134 milhões previsto em contrato para a cinebiografia de Jair Bolsonaro supera o orçamento de 15 dos últimos 20 filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme, o que mantém o projeto sob forte questionamento de analistas e investigadores.
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