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Itamaraty aponta risco de EUA usarem 'força militar' por causa de PCC e CV

Da redação
DA REDAÇÃO

06/07/2026 • 18:17 • Atualizado em 06/07/2026 • 18:31

PCC

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Estadão Conteúdo

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou formalmente sua preocupação com as iniciativas no Congresso dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

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Em documento assinado pelo ministro Mauro Vieira e encaminhado à Câmara dos Deputados, o Itamaraty alerta que tal medida traz o risco real de autorizar o uso de "força militar" em território brasileiro, ferindo a soberania nacional.

De acordo com o posicionamento oficial, a inclusão de grupos criminosos brasileiros na lista de terrorismo dos EUA não é apenas uma mudança de nomenclatura, mas uma alteração jurídica com graves implicações de defesa.

O governo brasileiro argumenta que a legislação norte-americana permite que o Executivo dos EUA utilize "todos os meios necessários", incluindo operações militares, para neutralizar entidades classificadas como terroristas, mesmo em solo estrangeiro.

O Itamaraty destaca que essa interpretação poderia abrir precedentes para intervenções ou operações de inteligência e combate sem o consentimento ou a coordenação com as autoridades brasileiras, o que representaria uma violação direta da soberania do país.

Crime organizado x terrorismo

No documento, o ministro Mauro Vieira reforça a distinção fundamental entre o crime comum e o terrorismo sob a ótica do direito internacional. Para o Itamaraty, o PCC e o CV são organizações ligadas ao crime organizado transnacional, motivadas pelo lucro proveniente do tráfico de drogas e armas, e não possuem os objetivos políticos, religiosos ou ideológicos que definem o terrorismo.

A avaliação diplomática é que o enfrentamento a esses grupos deve ser mantido na esfera da cooperação policial e jurídica entre as nações, em vez de ser transferido para o âmbito do contraterrorismo e do setor de defesa.

Consequências bilaterais

Além dos riscos militares, o governo brasileiro alerta para as sanções econômicas e restrições de movimentação financeira que acompanham a classificação de terrorismo. Tais medidas poderiam impactar indiretamente instituições e cidadãos brasileiros, gerando uma instabilidade diplomática e econômica desnecessária na relação bilateral entre Brasília e Washington.

A resposta do Itamaraty foi enviada à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para subsidiar o debate parlamentar sobre a segurança das fronteiras e a cooperação internacional contra o crime.