Band Política

Líder do PT na Câmara acusa extrema-direita de submeter Brasil aos EUA

Deputado Pedro Uczai (SC) critica articulação de Flávio e Eduardo Bolsonaro após EUA classificar facções como terroristas

Da redação
DA REDAÇÃO

28/05/2026 • 21:09 • Atualizado em 31/05/2026 • 21:03

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados divulgou nesta quarta-feira (28) uma nota em que acusa os senadores Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) de articularem junto aos Estados Unidos a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

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No texto, assinado pelo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), o partido afirma que a iniciativa representaria uma “ingerência” estrangeira sobre o Brasil e critica o que chamou de “submissão” da extrema direita brasileira aos interesses do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Bancada do PT na Câmara denuncia a articulação da extrema-direita sob a condução de Flávio e Eduardo Bolsonaro para estimular os Estados Unidos a classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A manifestação norte-americana representa uma resposta ideológica da extrema direita mundial à proposta séria de cooperação internacional apresentada pelo Brasil aos EUA em visita recente, baseada em devolução de fugitivos, repatriação de valores, troca de informações, asfixia financeira e combate real ao crime organizado. Em vez de cooperação, a extrema direita oferece sanções, ingerência, pressão econômica e submissão do Brasil aos interesses de estrangeiros.

A manifestação ocorre após o Departamento de Estado norte-americano anunciar a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais.

Segundo a bancada petista, o governo brasileiro já atua no combate às facções criminosas por meio de medidas aprovadas pelo Congresso Nacional, como o chamado PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública. O partido afirma que propostas para enquadrar facções como organizações terroristas chegaram a ser discutidas no Parlamento brasileiro, mas foram rejeitadas.

“O PCC, o Comando Vermelho e todas as organizações criminosas devem ser combatidos com firmeza”, diz a nota. “Flávio e Eduardo Bolsonaro tentam agora buscar em Washington aquilo que perderam no Congresso Nacional.”

O PT também afirma que a classificação das facções como organizações terroristas pode gerar impactos econômicos negativos para o Brasil. Entre os possíveis efeitos citados estão fuga de investimentos, restrições de crédito, bloqueios financeiros e dificuldades em operações internacionais envolvendo instituições brasileiras.

A nota ainda afirma que a medida pode afetar moradores de regiões dominadas pelo crime organizado e prejudicar mecanismos de cooperação internacional ao substituir ações de inteligência policial por uma lógica militar.

O partido acusa a família Bolsonaro de defender sanções e pressões internacionais contra o Brasil. “O Brasil precisa combater o crime organizado com Estado forte, soberania e lei brasileira”, afirma o documento.