
Abelardo De La Espriella
Charlie Cordero;Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais, nesta quinta-feira (25), para parabenizar o povo colombiano pela eleição de Abelardo de la Espriella, eleito presidente do país.
Lula destacou o “processo democrático e soberano” e reforçou que a amizade entre o Brasil e a Colômbia “transcende ideologias”.
“Parabenizo o povo colombiano pelo processo democrático e soberano, expresso por sua vontade nas urnas, da escolha de seu novo presidente Abelardo de la Espriella nas eleições do último domingo”, escreveu Lula.
“A amizade entre o Brasil e a Colômbia, que transcende ideologias, é fundamental para a superação de desafios comuns como a preservação da Amazônia, o enfrentamento da pobreza e o combate ao crime organizado. Que sigamos trabalhando juntos em benefício dos nossos povos”, completou.
Quem é Abelardo de la Espriella
O outsider de 47 anos, apoiado por Donald Trump, foi eleito neste domingo (21) após anos defendendo paramilitares, traficantes de drogas, políticos corruptos e estrelas do futebol.
Num segundo turno acirrado, derrotou o esquerdista Iván Cepeda – aliado do presidente Gustavo Petro – com uma campanha marcada pelo patriotismo e por uma retórica antissistema.
Até bem pouco tempo atrás, De la Espriella era conhecido por sua bem-sucedida carreira profissional e por suas excentricidades, longe de qualquer aspiração política.
A mudança veio em julho de 2025, com a criação do movimento de ultradireita Defensores da Pátria – resposta ao "momento sombrio" que o país, a seu ver, vivia sob Petro.
Deu certo: 11 meses depois, ele largou na frente no primeiro turno, desbancando o uribismo na preferência do eleitorado colombiano de direita. E sem jamais ter ocupado um cargo público.
Advogado de clientes controversos
De la Espriella fez fortuna como advogado defendendo clientes controversos, como o empresário Alex Saab, que está detido nos Estados Unidos sob acusação de lavagem de dinheiro, ou David Murcia Guzmán, protagonista do maior esquema de pirâmide da Colômbia.
Com o sucesso nos tribunais, que o tornou milionário, abriu uma loja, a De la Espriella Style. Nela comercializa marcas próprias, como o rum Defensor, o vinho Fratellone e itens de vestuário e acessórios, como camisas, gravatas e lenços de seda para "defensores da pátria".
Natural da região caribenha e ultradireitista, se define como judaico-cristão. Diz que deixou para trás a dolce vita na cidade italiana de Florença e que a campanha foi um "sacrifício" em prol da "pátria", para governar a Colômbia com uma mensagem radical que desperta fervor entre seus apoiadores e medo entre seus críticos.
Em seu estilo de se vestir e em seus gostos culinários, ele se esforça para ser o mais italiano possível. Cantor de ópera amador, chegou até a gravar dois álbuns como tenor, intitulados De mi alma italiana e Navegante.
Por mais armas e mais prisões
Defende o direito ao porte de armas e uma redução de 40% no tamanho do Estado e quer construir megaprisões onde os detentos seriam mantidos "dez andares abaixo da terra" e alimentados com "pão e água".
Embora manifeste desprezo pelos políticos, ele mantém "uma amizade próxima" com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002–2010).
Em comícios que incluíam fogos de artifício e sons de rugidos de tigre, ele jurou "reconstruir a República", defender a democracia "pela razão ou pela força" e tornar-se um "inimigo declarado" da esquerda.
Prometeu derrotar a classe política, gerar riqueza e melhorar a segurança em meio a uma escalada de conflitos armados, no momento em que chegava ao fim o primeiro governo de esquerda da história do país.
Após eliminar a direita tradicional da disputa no primeiro turno, ele adotou uma postura antissistema: "A toda essa máfia que desgoverna a Colômbia, eu digo: aqui está uma manada, um povo que não se ajoelhará e que veio para enfrentá-los" e "para puni-los".
Determinado a transformar o Estado num empreendimento próspero, ele se inspira em políticos como Javier Milei, Nayib Bukele e Trump.
Espriella costuma usar ternos impecáveis – sem gravata – e mocassins. Também costuma vestir a camisa amarela da seleção nacional de futebol, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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