O governo federal brasileiro anunciou um pacote de auxílio para amenizar o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Para alguns setores da indústria nacional, no entanto, as medidas, mesmo sendo bem-vindas, podem ser burocráticas e até lentas para socorrer os produtores.
Todo programa que possa ajudar essas empresas que estão com dificuldades por causa das tarifas americanas é muito bem-vindo. O grande problema é que o acesso a esse crédito é muito burocrático e leva tempo. --José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast
Para Roriz Coelho, o foco de parte do programa governamental está equivocado, já que o crédito destinado a "novos investimentos" e inovação é pouco útil para um setor que está com máquinas paradas e reduzindo a produção. “Uma empresa que está diminuindo as suas vendas não vai investir”, afirma ele à BandNews TV.
O cenário é crítico, já que, entre janeiro e junho deste ano, as exportações de plástico para os EUA --o segundo maior mercado do Brasil-- despencaram 61%, aponta ele. Cerca de 340 empresas brasileiras foram atingidas diretamente por tarifas que podem ultrapassar os 30%, enquanto países vizinhos mantêm taxas próximas de 10%.
A Abiplast argumenta que essa situação poderia ter sido evitada com uma negociação diplomática mais ágil desde o início, o que teria poupado o gasto de recursos públicos agora necessários para socorrer as fábricas. O tarifaço dos EUA, que impôs sobretaxas de 25% para parte da produção brasileira exportada para o país.
Redirecionamento e concorrência
O governo tem sugerido que o setor busque novos mercados para compensar a perda dos EUA, mas a associação rebate que esse processo é lento e complexo. Além de já ser um movimento constante das indútrias a busca por novos mercados.
Segundo Roriz Coelho, conquistar novos clientes internacionais leva de 8 a 10 meses, e o Brasil enfrenta uma perda de competitividade devido ao alto custo de produção local e ao endividamento generalizado de famílias e empresas.
Somado a isso, o mercado interno sofre com uma "invasão chinesa", alerta ele. Como a China também foi sobretaxada pelos EUA, redirecionou seus produtos para o Brasil e Argentina, muitas vezes com preços mais agressivos que os da indústria nacional.
O mercado internacional hoje, por causa desse tarifaço, está muito mais disputado (…) Muitas dessas empresas vendiam 50% ou 60% da sua produção [para os EUA] e, de uma hora para outra, não estão vendendo mais. --José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast
Governo lança plano de R$ 18,5 bi
O governo federal editou nesta quarta-feira (22) uma Medida Provisória que cria o Plano Brasil Soberano III, liberando um montante de R$ 18,5 bilhões para apoiar exportadores e setores produtivos afetados por tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil e por conflitos internacionais.
A nova etapa da iniciativa injeta recursos financeiros com o objetivo de socorrer indústrias atingidas pelas tarifas das Seções 232 e 301 das tarifas norte-americano, além de amparar vendas externas destinadas a países do Golfo Pérsico.
A estrutura do financiamento conta com R$ 13,5 bilhões oriundos do Tesouro Nacional, compostos por saldos não utilizados das edições anteriores e de renegociações de dívidas rurais, além de R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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