
Mario Frias, deputado federal do PL em SP
Roberto Castro/ Ministério do Turismo
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) tornou-se alvo de representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados após revelações de um suposto esquema de rachadinha em seu gabinete.
A bancada do PT e o deputado federal Francisco Rodrigues de Alencar Filho (PSOL-RJ) acionaram os órgãos de controle pedindo a investigação do parlamentar por suspeitas de peculato, lavagem de capitais, corrupção passiva e organização criminosa.
A reportagem da Band tentou contato com o deputado federal, mas ainda não teve resposta.
Comprovantes bancários e de Pix publicados pelo G1 e citados nas denúncias, apontam que uma ex-secretária parlamentar de Mário Frias teria devolvido sistematicamente parte de seu salário a pessoas ligadas ao deputado entre fevereiro de 2023 e maio de 2024.
Com um vencimento que variava entre R$ 10 mil e R$ 21 mil, custeado pela Câmara, a secretária realizou transferências que somam R$ 35.116 em favor do então chefe de gabinete de Frias, Raphael Azevedo, e de seus familiares.
Os comprovantes indicam que recursos públicos serviram para custear diretamente despesas da família de Mário Frias. A ex-funcionária teria pagado uma fatura de cartão de crédito no valor de R$ 4.832,32 da esposa do deputado, Juliana Frias, além de ter feito uma transferência de R$ 1.000 para a mãe dele, Maria Lucia Frias.
Em declarações à imprensa, a secretária relatou que "o deputado sabia de todas as devoluções", definindo o esquema como um "combinado inicial" do qual participariam também outros funcionários do gabinete.
A representação enviada à PGR destaca outras movimentações financeiras consideradas atípicas, indicando possível lavagem de dinheiro. A secretária contraiu cinco empréstimos consignados, totalizando quase R$ 175 mil e repassou parte significativa dos valores a Raphael Azevedo, sob a justificativa de quitar dívidas da campanha de 2022.
Em março de 2024, a ex-assessora recebeu R$ 50 mil do ex-chefe de gabinete e de sua esposa e, no dia seguinte, realizou um saque em espécie de R$ 49.999,99, montante entregue a um terceiro não identificado.
Filme e viagem sem autorização
Além do esquema de desvio de salários, a representação da bancada do PT quer a apuração do uso de emendas parlamentares destinadas ao filme “Dark Horse”. O partido aponta indícios de lavagem de dinheiro na produção da obra, utilizando uma rota financeira entre o Brasil e os Estados Unidos.
Agrava a situação do parlamentar uma recente viagem ao Bahrein. Segundo o PT, Mário Frias deixou o país sem a devida autorização da Mesa Diretora da Câmara, ferindo o artigo 228 do Regimento Interno. A suspeita é de que a ausência tenha sido uma manobra proposital para atrasar a ciência formal de uma intimação enviada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que solicitava esclarecimentos justamente sobre o tema do filme.
O caso gerou forte reação da oposição, que traça paralelos entre Frias e outras figuras do seu campo político. A nota do PT destaca ligações do deputado paulista com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) --que também já foi alvo de investigações por suspeita de rachadinha e lavagem de dinheiro no esquema envolvendo a contratação de assessores --e com o “ecossistema do Banco Master”.
Em áudios revelados pelo site Intercept, os dois parlamentares supostamente cobram recursos e tratam o banqueiro Daniel Vorcaro como "irmãozão". Para os petistas, o episódio demonstra um método em que a extrema direita "posa de moralista, mas aparece, de novo, cercada por escândalo de corrupção e relações financeiras subterrâneas".

