
Renan Santos critica política externa e cita terras raras
Cauê Del Valle/Divulgação MBL
Pré-candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão) fez críticas nesta quinta-feira (16) ao presidente Lula e à família Bolsonaro diante do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos ontem. Na visão de Santos, os interesses nacionais foram colocados de lado e o Brasil é prejudicado por disputas de cunho político. O empresário e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) ainda afirmou quais possíveis soluções aplicaria caso eleito como presidente.
"Lula não fez nada" para impedir tarifaço, diz Renan Santos
Em um vídeo, Santos diz acreditar que o Governo Federal desperdiçou chances de abrir uma negociação direta com os Estados Unidos e de conseguir uma solução diplomática para os conflitos comerciais entre os países.
“O Lula praticamente está comemorando. Não fez nada, não sentou na mesa para negociar e não usou a boa posição que a questão das terras raras nos fornece para dialogar com os Estados Unidos. No fundo, ele quer que o Brasil seja taxado para posar de quem enfrenta os americanos e tentar recuperar popularidade”, afirmou.
Família Bolsonaro é "puxa saco de Donald Trump"
A família Bolsonaro também foi criticada com ênfase em Flávio, também pré-candidato a Chefe do Executivo, e Eduardo, que vive no país desde março de 2025. “Do outro lado, nós temos o Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro como um todo, que são uns puxa-sacos do Donald Trump. O Flávio foi aos Estados Unidos dizendo que o Trump gostava desse tipo de gesto. Eu vi o resultado desse aceno: o Trump transformou essa palhaçada em tarifa”, disse.
Quanto a Eduardo Bolsonaro, Santos criticou o discurso que defende as sanções contra autoridades brasileiras. “É uma situação ridícula. De um lado, um governo que parece se beneficiar politicamente da taxação dos empresários brasileiros. Do outro, uma família que coloca seus interesses eleitorais acima do interesse nacional. No fim do dia, quem perde é o Brasil.”
Santos cita terras raras para negociação com EUA
Caso fosse presidente da República hoje, Renan afirma que adotaria estratégias de negociação que se baseiam em interesses econômicos e geopolíticos. Ele citaria, por exemplo, as reservar de terras raras do Brasil para fortalecer a posição do país globalmente.
“Comigo isso não vai acontecer", disse. "Vou negociar seriamente com os Estados Unidos, colocar a questão das terras raras na mesa e buscar acordos vantajosos para o Brasil. Do jeito que está, o país apenas foge da negociação e paga a conta dessa disputa política."
Entenda o novo tarifaço
O "tarifaço" consiste em uma taxa de 25% que os Estados Unidos confirmaram sobre diversos produtos brasileiros, medida que atinge em cheio as exportações do país — incluindo setores cruciais de alimentos e agronegócio — e que entra em vigor na próxima semana.
Após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusar o Brasil de não negociar com "boa-fé", fontes diplomáticas relataram à BandNews FM que o governo brasileiro fez um esforço intenso para evitar as sanções.
Foram mais de 30 reuniões bilaterais, de forma presencial, virtual e telefônica, incluindo conversas diretas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Para a diplomacia do país, a decisão final das tarifas ocorreu por falta de abertura do próprio governo dos EUA nas tratativas, e não por falta de empenho brasileiro.
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