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Zambelli: defesa diz que processo na Itália está zerado e cita perseguição

Ex-deputada foi solta após 10 meses presa após Justiça italiana negar extradição ao Brasil

Por Redação
REDAÇÃO

22/05/2026 • 22:01 • Atualizado em 24/05/2026 • 09:17

Carla Zambelli

Carla Zambelli

Foto: Marcos Corrêa/PR

O advogado Fábio Panhosi, defensor de Carla Zambelli, afirmou, na noite desta sexta-feira (22) que a ex-deputada não possui mais pendências com a Justiça italiana e pode levar a vida normalmente no país após ter sido negado o pedido de extradição dela, feito pelas autoridades brasileiras. Zambelli já deixou a prisão italiana em que estava há cerca de dez meses.

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Ela é uma cidadã italiana livre para ter a sua vida fazendo o que ela quiser. Nesse momento, não há nada mais na Justiça italiana, a situação dela está zerada. Ela tem dupla cidadania, pode viver na Itália tranquilamente. Se ela quiser sair da Itália, nesse momento, dentro da comunidade europeia, ela pode. --Fábio Panhosi

Na BandNews TV, o advogado foi incisivo ao apontar o que considera uma "perseguição política/ jurídica" contra a ex-parlamentar e citou o pedido de extradição do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A rejeição do pedido foi determinada pela Corte de Cassação de Roma, após instâncias inferiores terem decidido pelo retorno de Zambelli ao Brasil.

Panhosi afirmou que, durante a audiência final, a defesa utilizou um pedido de celeridade feito pelo ministro brasileiro como argumento de questionamento: "Isso causou estranheza pros ministros. No dia da audiência já tinha um pedido do ministro do Brasil pedindo para que Carla já fosse enviada de volta ao país. Sem sentido nenhum, totalmente precipitado".

O defensor completou dizendo que a resistência do ministro em apostilar documentos, sob a justificativa de que ele próprio é autoridade máxima, também foi vista pelos italianos como algo "muito estranho". Agora, Carla aguarda um possível pronunciamento do Ministro da Justiça italiano, o que o advogado aponta como improvável que aconteça para reverter a decisão.

A tese sobre o episódio da arma

Sobre o episódio em que a ex-deputada foi filmada portando arma de fogo em via pública, a defesa sustentou que a condenação brasileira ignora o contexto de risco sofrido por sua cliente. Panhosi alegou que Zambelli agiu em legítima defesa. "O segurança quando cai no chão, a Carla Zambelli acha que ele foi baleado".

O advogado classificou a sentença de cinco anos de prisão como desproporcional, comparando-a a crimes de maior gravidade. "Olha onde a inversão de valores que a gente chegou. Ela acha que o segurança está baleado, o segurança está no chão, ela saca a arma… E isso ela tem uma condenação de 5 anos", criticou.

Próximos passos e retorno ao Brasil

Embora o desejo da ex-deputada seja retornar ao Brasil, a estratégia da defesa é de cautela. Panhosi admitiu que, no atual cenário, o retorno é inviável, aguardando uma mudança política para que a revisão criminal seja bem-sucedida. "Carla vai continuar na Itália até que se melhore essa questão política no Brasil, que nós tenhamos uma maior segurança jurídica", concluiu.