Política

Tarifaço imposto pelos EUA 'não tem lastro na realidade', diz Mauro Vieira

Governo brasileiro afirma que participou de mais de mais de 30 reuniões de negociações

3 min

16/07/2026 14:45 • Atualizado há 101 dias

Tarifaço imposto pelos EUA 'não tem lastro na realidade', diz Mauro Vieira

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como infundadas e politicamente motivadas as recentes barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo o chanceler, a elevação das alíquotas de importação --de 25% no âmbito da Seção 301, além da de 10% implantada anteriormente-- ocorreu de forma unilateral e sem justificativa técnica, ignorando meses de diálogo diplomático.

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Vieira fez uma declaração para jornalistas na tarde desta quinta-feira (16), onde afirmou que o governo brasileiro participou de mais de 30 reuniões de negociação e apresentou defesas formais ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em agosto e setembro de 2025.

O ministro revelou que a escalada nas tensões foi explicitamente política, mencionando uma correspondência na qual o governo Trump teria ameaçado o Brasil caso processos judiciais internos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não fossem interrompidos.

Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente nas investigações pelos canais diretos de interlocução entre os governo desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025. Apresentou duas defesas escritas demonstrando que as políticas e práticas brasileiras investigadas são legítimas, não discriminatórias e não prejudicam o comércio dos Estados Unidos. --Mauro Vieira

A investigação da Seção 301 é vista por Brasília como uma manobra para compensar derrotas legais do governo americano na Suprema Corte sobre a aplicação de tarifas universais.

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Para Vieira, as exigências de Washington buscavam uma "capitulação" brasileira, demandando a abertura total e exclusiva de setores econômicos inteiros sem oferecer contrapartidas aos produtos nacionais.

Desequilíbrio comercial e defesa do Pix

O chanceler destacou o forte desequilíbrio na balança comercial, lembrando que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, ressaltou que, em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil com isenção de impostos, abrangendo a maioria dos principais produtos vindos dos EUA.

Vieira também rebateu pontos específicos da investigação americana:

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  • Pix: Classificou como "descabida" a alegação de que o sistema de pagamentos brasileiro gera competição desleal, definindo-o como uma infraestrutura pública acessível a todas as instituições;
  • Meio Ambiente: Chamou de "absurdas" as acusações sobre desmatamento, citando as reduções significativas registradas na Amazônia e no Cerrado desde 2022.

As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o PIX são descabidas. O PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX. --Mauro Vieira

O ministro concluiu seu posicionamento reforçando que as alegações utilizadas para justificar as tarifas "não têm lastro na realidade", mantendo a postura de que o Brasil agiu de forma legítima e não discriminatória no comércio internacional

Tarifaço imposto pelos EUA 'não tem lastro na realidade', diz Mauro Vieira