
Camilo Santana
José Cruz/Agência Brasil
A crise em torno da liderança do governo no Senado Federal ganhou novos contornos políticos e jurídicos nas últimas horas. Diante do desgaste provocado pela operação da Polícia Federal realizada na última quinta-feira contra o senador Jaques Wagner, a engrenagem do Palácio do Planalto já começou a se movimentar para uma eventual substituição do parlamentar baiano.
Internamente, o nome que desponta com mais força para assumir o posto de articulação política na Casa Legislativa é o do senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana.
A articulação de bastidores ocorre de forma paralela à forte resistência pública oferecida por Jaques Wagner. Em pronunciamento oficial, o senador rechaçou a possibilidade de abdicar voluntariamente de suas funções no parlamento e garantiu que sua permanência à frente da liderança governista segue mantida.
Como argumento de defesa, o parlamentar ressaltou a relação histórica e de mútua confiança que possui com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelando ter recebido um telefonema de solidariedade por parte do chefe do Executivo logo após a ação policial.
Embora o presidente Lula já tenha conversado com Wagner por telefone, uma audiência presencial entre ambos está agendada para esta semana em Brasília. A expectativa de interlocutores e de líderes da base governista é de que a destituição ou o afastamento do parlamentar seja selado de comum acordo, de modo a mitigar os impactos da crise ética na base aliada do Senado.
No campo judicial, o processo também apresenta desdobramentos significativos. Após a rejeição formal da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) passaram a defender abertamente o retorno do empresário ao sistema penitenciário da Papuda.
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