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Caso deixou de ser o 'Caso Master' para se transformar no 'Caso Toffoli'

Em sua análise, o jornalista Cláudio Humberto aponta uma série de manobras inusuais do ministro Dias Toffoli desde o início do processo, que agora pode mudar de relator no STF.

Por Redação
REDAÇÃO

12/02/2026 • 11:58 • Atualizado em 12/02/2026 • 11:58

Cláudio Humberto

Em sua participação no Jornal Gente, o jornalista Cláudio Humberto, direto de Brasília, detalhou o que considera uma série de ações "muito estranhas" e "inusuais" do ministro Dias Toffoli na condução do caso Banco Master. Segundo Humberto, o noticiário político e policial promete um "carnaval animado", mas lamenta que "é tudo muito triste que [isso] esteja acontecendo".

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As manobras para avocar e controlar o caso

Cláudio Humberto inicia sua análise apontando que, desde o começo, Toffoli agiu de forma questionável. A primeira manobra teria sido "arrumar um pretexto para puxar o caso" para o Supremo Tribunal Federal (STF), que originalmente estava na primeira instância da Justiça Federal. "O ministro alegou que tinha ali uma referência a um deputado federal da Bahia [...] então, se tem deputado, tem foro privilegiado, é assunto do Supremo e puxou isso para o Supremo", explica Humberto, ressaltando que essa ligação "não tem nenhuma relação com o escândalo em si".

Imediatamente após avocar o processo, Toffoli "decretou um inédito sigilo máximo nas investigações". Humberto enfatiza a gravidade da medida: "Nunca aconteceu isso antes, sigilo máximo. Não se podia conhecer nem sequer a identidade dos advogados atuando no caso".

Conflito com a Polícia Federal e outras instituições

A análise prossegue com a descrição de como o ministro teria centralizado o controle sobre as provas. "Toffoli mandou lacrar e até requisitou para o seu gabinete todo o material apreendido pela própria Polícia Federal". Mais grave, segundo o jornalista, foi ele ter tirado da PF a tarefa de periciar os celulares apreendidos, designando "peritos da confiança dele para analisar esses celulares".

Essa atitude, de acordo com Humberto, deixou a "Polícia Federal em pé de guerra, revoltada, indignada", e teria gerado "altercações" entre uma delegada e juízes auxiliares do ministro.

O jornalista também lembra que Toffoli "provocou espanto e indignação ao proibir o acesso da CPMI do INSS aos dados de quebra de sigilo que a própria comissão havia determinado".

Criação de álibi e a repercussão em Brasília

Humberto recorda um diálogo recente em uma sessão do STF, transmitido pela TV, entre Toffoli e Alexandre de Moraes. Na ocasião, Toffoli dizia que "magistrado pode ser sócio de empresa, pode receber dividendos". Para o jornalista, o ministro "já criava um álibi exatamente para explicar [...] a confirmação de recebimento de dinheiro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, exatamente oriundo das pessoas que estão sendo por ele investigadas".

Como consequência, Cláudio Humberto afirma que "se fala muito aqui em Brasília, desde ontem à noite, do afastamento, se não voluntário, do ministro Dias Toffoli" do caso. Ele acrescenta que, nos bastidores, já se discute a possibilidade de o processo ser transferido para a relatoria do ministro André Mendonça, devido à conexão do caso Master com investigações sobre fraudes em consignados do INSS.

"E aí vai ficar ainda mais divertido, não é?", ironiza Humberto, concluindo sua análise com uma frase forte: "A impressão que dá é que agora, esse caso, como alguém já disse hoje, é que deixou de ser o caso Master para se transformar no caso Toffoli. E aparentemente está apenas no começo".

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