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Caso Marina Harkot: julgamento é adiado após voto pela prisão imediata de motorista

ANA PAULA RODRIGUES

22/10/2025 • 15:16 • Atualizado em 22/10/2025 • 15:16

A cicloativista Marina Harkot

A cicloativista Marina Harkot

Reprodução/Arquivo Pessoal

A Justiça de São Paulo iniciou o julgamento dos recursos da defesa e da acusação de José Maria da Costa Júnior, motorista condenado pelo assassinato da ciclista Marina Harkot, em 2020, na capital paulista. O Ministério Público pediu a prisão imediata e ampliação da pena de 13 para 17 anos.

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A relatora do caso, desembargadora Carla Rahal Benedetti, votou pela manutenção da pena e prisão imediata do empresário, enquanto os demais desembargadores pediram prazo maior para analisar os recursos, o que adiou a continuação do julgamento para 5 de novembro, às 9h30, em uma sessão telepresencial.

O empresário José Maria da Costa Júnior foi condenado em janeiro de 2025 a 13 anos de prisão em regime fechado, mas segue em liberdade enquanto recorre da sentença. A defesa do réu entrou com recurso pedindo a anulação do julgamento e a marcação de um novo júri.

Marina Harkot, ciclista morta em atropelamento em SP

Ciclista e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), Marina Harkot foi atropelada enquanto pedalava pela avenida Paulo 6°, em São Paulo, às 0h17 de 8 de novembro de 2020. Ela tina 28 anos.

Apesar do acionamento do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) por uma policial de folga que presenciou o acidente, a jovem não resistiu e morreu no local.

A identificação do carro envolvido foi possível graças à ação da policial testemunha, que anotou a placa do veículo. Câmeras de segurança confirmaram que o veículo circulava pela região no horário do atropelamento.

Na época, a Polícia Civil informou que o motorista, José Maria da Costa Júnior, fugiu do local sem prestar socorro e abandonou o veículo no centro de São Paulo. Ele se apresentou somente na tarde de 10 de outubro de 2020, mais de 48 horas após o acidente.

Em entrevista à TV Globo dias após o ocorrido, Costa Júnior afirmou que “não tinha noção da complexidade” do acidente e de que alguém pudesse estar ferido. Segundo a policial que presenciou o atropelamento, havia boa iluminação e “com certeza, ele viu a Marina”.

A avenida onde ocorreu o acidente possui quatro faixas, e Marina estava pedalando na última, próxima ao parapeito, em uma via com velocidade máxima de 50 km/h. Segundo laudos periciais, o réu estava embriagado e dirigia a mais de 90 km/h.

Descrita como pesquisadora brilhante e sorridente, Marina Harkot concluiu a graduação e o mestrado na USP, onde também era colaboradora do LabCidade, e cursava o doutorado na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo). Na academia, tornou-se referência por pesquisas que relacionam gênero e mobilidade por bicicleta.

José Maria da Costa Júnior foi condenado a 13 anos, sendo 12 anos por homicídio doloso qualificado por dolo eventual, 6 meses de detenção em regime aberto por embriaguez ao volante e mais 6 meses por omissão de socorro.

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