O professor de relações internacionais Sidney Leite minimizou, em entrevista à Rádio Bandeirantes, o impacto das recentes declarações da presidência iraniana sobre o cenário de conflito no Oriente Médio.
Segundo o especialista, a estrutura de poder do país limita a influência do cargo executivo em questões de política externa e defesa. "Eu acho que a gente não pode valorizar muito essa declaração (pedido de desculpas), porque o presidente do Irã não tem poder efetivo de decisão sobre os próximos passos", afirmou o professor.
Leite explicou que, por se tratar de um estado teocrático, as ordens finais partem de outras instâncias. "O presidente é uma figura um tanto quanto secundária. Em última instância, quem decide é o conselho dos aiatolás, juntamente com a guarda revolucionária", pontuou.
Para o professor, a continuidade dos ataques a alvos vizinhos e interesses norte-americanos é uma resposta ao sentimento de ameaça do regime. Ele analisa que o Irã deve manter a aposta em cartas altas para forçar uma mudança de posicionamento de Washington.
"Ele vai apostar as cartas mais altas, e uma delas é debilitar os seus países vizinhos para que esses estados, que são aliados aos Estados Unidos, pressionem os Estados Unidos para um cessar-fogo o início de uma nova negociação, de um novo patamar.", concluiu Sidney Leite.
Declaração do presidente do Irã
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas neste sábado (7) aos países vizinhos atingidos por ataques iranianos durante a escalada militar no Oriente Médio e afirmou que Teerã pretende suspender ofensivas contra esses territórios, salvo se novas agressões partirem deles.
“Peço desculpas pessoalmente aos países vizinhos que foram afetados pelas ações do Irã”, disse Pezeshkian em discurso transmitido pela televisão estatal iraniana.
Segundo ele, o conselho de liderança interino aprovou que as forças armadas deixem de atacar países próximos ou lançar mísseis contra esses territórios, a menos que ataques contra o Irã tenham origem nesses locais. As declarações foram reportadas pelas agências Reuters, Associated Press e pelo jornal The Guardian.
A fala ocorre enquanto o conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos entra na segunda semana e já se espalhou por vários países da região. Segundo a Reuters, Teerã respondeu aos ataques americanos e israelenses lançando drones e mísseis contra Israel e também contra países do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos.
Trump chama Irã de ‘perdedor do Oriente Médio’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais neste sábado (7) para comentar o pedido de desculpas do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e fez novas ameaças a Teerã.
Segundo o republicano, o Irã “não é mais o valentão do Oriente Médio”, mas sim o “perdedor” da região.
“O Irã, que está sendo duramente atacado, pediu desculpas e se rendeu aos seus vizinhos do Oriente Médio, prometendo que não atirará mais neles. Essa promessa só foi feita por causa do ataque implacável dos EUA e de Israel. Eles buscavam dominar e governar o Oriente Médio. É a primeira vez em milhares de anos que o Irã perde para os países vizinhos do Oriente Médio. Eles disseram: "Obrigado, Presidente Trump". Eu disse: "De nada!’”, escreveu Trump.
“O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’, mas sim "o perdedor do Oriente Médio’, e continuará sendo por muitas décadas até se render ou, mais provavelmente, entrar em colapso total.”
Na mesma publicação, Donald Trump também afirmou que o Irã será “duramente atingido” neste sábado.
“Hoje, o Irã será duramente atingido! Áreas e grupos de pessoas que não eram considerados alvos até este momento estão sob séria consideração para destruição completa e morte certa, devido ao mau comportamento do Irã”, finalizou.
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