O senador Rogério Marinho (PL-RN) voltou a criticar a proposta de redução da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6x1 e afirmou que o debate tem sido conduzido sem considerar os impactos para diferentes categorias profissionais e para o mercado de trabalho.
Durante entrevista ao Jornal Gente, da Bandeirantes, o parlamentar defendeu que a discussão exige cautela por envolver diretamente a vida de milhões de trabalhadores e empregadores.
Segundo ele, a proposta apresentada não leva em conta a diversidade das atividades existentes no país.
Marinho questiona modelo da proposta
Ao comentar o texto em discussão, o senador disse não conhecer experiências internacionais semelhantes que tratem simultaneamente da jornada de trabalho e da escala de serviço em uma única proposta legislativa.
“Não conheço na literatura mundial um país que tenha tido a pachorra, a petulância de incluir no mesmo projeto de lei jornada e escala”, declarou.
Marinho argumentou que o mercado de trabalho brasileiro possui diferentes realidades e que uma regra única não atenderia adequadamente todas as categorias.
“Quando ele faz isso, demonstra um absoluto desconhecimento do que é o mercado de trabalho brasileiro e um desprezo pelas consequências”, afirmou.
Exemplo da jornada 12x36
Para ilustrar sua crítica, o senador citou trabalhadores que atuam na escala 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, modelo comum em hospitais, serviços de segurança e limpeza.
Segundo ele, uma eventual limitação da jornada semanal poderia exigir a contratação de mais funcionários para manter o mesmo nível de atendimento.
Na avaliação do parlamentar, a mudança poderia gerar aumento de custos operacionais para empresas e prestadores de serviço.
“O empregador vai precisar dobrar o número de funcionários para fazer o mesmo serviço. Significa que o custo também vai dobrar”, afirmou.
Críticas ao governo
Durante a entrevista, Rogério Marinho atribuiu ao governo federal motivações eleitorais na defesa da proposta e questionou a condução do debate.
“Esse governo, além de incompetente e leviano e preocupado com a oportunidade eleitoral, sequer sabe fazer conta”, declarou.
O senador também afirmou que a discussão deveria ser baseada em estudos técnicos e em análises dos efeitos econômicos sobre a geração de empregos e a prestação de serviços.
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