A investigação sobre o incidente de intoxicação em uma academia ganhou novos contornos na manhã desta terça-feira (10). Em entrevista ao Grupo Bandeirantes, o delegado Alexandre Bento detalhou o depoimento do funcionário responsável pela limpeza da piscina, e apontou que a mistura inadequada de produtos químicos é a principal hipótese para a emissão de gases tóxicos.
Conforme o delegado, o funcionário que atuava originalmente como manobrista não possuía habilitação técnica ou treinamento para manipular produtos químicos. Entretanto, ele realizava a limpeza da piscina sob orientação direta de um dos sócios da empresa por meio de mensagens de WhatsApp.
"Ele fazia a fotografia da piscina e das medições. O sócio, então, encaminhava as instruções, as medidas dos produtos e a forma de preparar a mistura para limpeza da piscina", explicou o delegado.
A hipótese da reação química
Um ponto central da investigação é a substituição das marcas de produtos utilizados na manutenção no último mês. Segundo técnicos consultados pela polícia, a troca pode ter sido fatal para a qualidade do ar no ambiente.
- Diferença entre cloros: Mesmo que ambos os produtos sejam baseados em cloro, as especificações químicas variam entre marcas.
- Reação perigosa: A mistura involuntária de componentes distintos pode gerar a emissão de gases, causando o desconforto respiratório e a intoxicação dos presentes.

Academia fica localizada na Zona Leste de SP e está interditada após a morte de uma aluna de natação | Foto: Reprodução/Band
Rumos da investigação e próximos passos
O delegado afirmou que a situação do funcionário é agora considerada "mais confortável" juridicamente, uma vez que ele comprovou agir sob supervisão direta e ordens superiores. O foco, agora, recai sobre os três sócios da academia — dois residentes em São Paulo e um no interior.
A polícia apreendeu o celular do funcionário para periciar as conversas com os proprietários. "Essas mensagens podem mudar os rumos das investigações", pontuou o delegado.
O advogado da empresa já se apresentou para tomar ciência dos autos, mas as datas dos depoimentos dos sócios ainda não foram agendadas. O delegado alertou que o inquérito tem prazo e que as oitivas precisam ocorrer o mais breve possível.

