"Não estamos em luto, estamos na luta", diz Rodrigo Oliveira, do Mocotó, sobre morte de Seu Zé

Chef abre o coração sobre perda do patriarca, mentor e fundador do premiado restaurante Mocotó

Júlia Cabral
JÚLIA CABRAL

08/08/2025 • 13:54 • Atualizado em 08/08/2025 • 13:54

Rodrigo Oliveira e Seu Zé, no Mocotó

Rodrigo Oliveira e Seu Zé, no Mocotó

Divulgação

Este será o primeiro Dia dos Pais de Rodrigo Oliveira sem José Almeida, o Seu Zé, pai do chef e fundador do tradicional restaurante Mocotó, na Vila Medeiros, bairro da Zona Norte de São Paulo.

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Desde março deste ano, quando o patriarca faleceu, o cozinheiro criativo enfrenta um período sustentado pelas memórias do “sertanejo desbravador, cabeçudo e generoso” que foi Seu Zé, como descreveu em entrevista exclusiva para band.com.br.

Foto: Divulgação

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Em um bate-papo exclusivo, Rodrigo Oliveira abriu o coração sobre a dor do luto, resgatou histórias ao lado do mentor e falou sobre o Dia dos Pais — uma data que, para muitos, é embalada pela saudade.

Nasce o mocotó

Figura icônica na capital paulista, Seu Zé viveu a infância no pequeno distrito de Mulungu, no sertão pernambucano. Ao chegar em São Paulo, fincou raízes na Zona Norte, onde, junto com os irmãos Gersino e Gilvan, abriu um empório que servia mocofava (uma mistura de fava com caldo de mocotó que já foi tema de prova no MasterChef Brasil).

Dessa parceria, nasceu o Mocotó em 1976. E o que era para ser uma simples casa de comida sertaneja se tornou uma referência em culinária brasileira na capital paulista.

Ele é o Mocotó. É tudo que o restaurante representa: o sertão, a resiliência, a exaltação da simplicidade. Isso é a raiz do seu Zé

Em 2001, Rodrigo assumiu os negócios, mantendo a essência e o cardápio sertanejos, mas sem reprimir seu DNA ousado: nas entradas, lançou o dadinho de tapioca, mais tarde popularizado em botecos de todo o país.

Torresmos do Mocotó | Foto: Divulgação

Torresmos do Mocotó | Foto: Divulgação

Deu samba. A cumplicidade entre pai pragmático e filho provocador resultou em uma cozinha “feita com os olhos no mundo e os pés sempre firmados no sertão” — que, diga-se de passagem, prepara os mais saborosos e crocantes torresminhos.

Pai cauteloso, filho ousado

Além do dadinho de tapioca, a família pernambucana conseguiu levar o Mocotó para o 63º lugar na lista dos melhores restaurantes da América Latina pela revista britânica Restaurant (2023).

Foto: Divulgação

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O restaurante também recebeu o selo de Bib Gourmand pelo Guia Michelin (2024) e o prêmio de melhor restaurante do mundo na categoria “no reservation required” pelo World Restaurant Awards (2019).

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Isso não quer dizer que o laboratório de comida sertaneja contemporânea não tenha sido cenário de embates entre a dupla. Para o cozinheiro sensível, os dois carregavam legados fortes. "Mas nunca afetaram nossa relação de pai e filho", reforça o autor do livro "Mocotó - o pai, o filho e o restaurante", publicado em 2017.

A gente era complementar

O que fica

Sem o patriarca do Mocotó, Rodrigo afirma com convicção: “Não estamos em luto, estamos na luta.” Mais do que administrar o restaurante premiado, Rodrigo abraça o compromisso de carregar o legado de Seu Zé.

Neste Dia dos Pais, o chef brilhante senta à mesa com saudade, mas uma herança preciosa para os filhos Nina, Flor, Pedro, Cora e Alice: "Repartir não é dividir o que sobra. É compartilhar o que se tem. Isso, eu aprendi com meu pai — e é o que quero deixar para os meus filhos."

Foto: Divulgação

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Será que, na hora de comer, a gente não poderia estar um pouco mais perto?

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