Saúde

4,5 milhões de meninas correm risco de mutilação genital em 2026, diz ONU

Agências cobram mais recursos e dizem que cortes em saúde e educação ameaçam meta global de erradicação até 2030

Da redação
DA REDAÇÃO

06/02/2026 • 18:41 • Atualizado em 06/02/2026 • 18:41

ONU alerta para impacto da mutilação genital na saúde de meninas

ONU alerta para impacto da mutilação genital na saúde de meninas

Reuters

Cerca de 4,5 milhões de meninas em todo o mundo podem ser submetidas à mutilação genital feminina apenas em 2026, segundo alerta divulgado nesta quinta-feira (5) por líderes de seis agências da ONU (Organização das Nações Unidas). Muitas delas têm menos de cinco anos.

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O dado foi apresentado em declaração conjunta no Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, assinada por dirigentes do UNFPA, Unicef, ONU Mulheres, OMS, Unesco e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Atualmente, mais de 230 milhões de meninas e mulheres vivem com consequências permanentes da prática, considerada pela ONU uma violação de direitos humanos. O procedimento compromete a saúde física e mental e pode causar complicações graves ao longo da vida. O custo anual do tratamento dessas sequelas é estimado em US$ 1,4 bilhão.

As agências afirmam que, apesar dos avanços recentes, o ritmo de redução ainda é insuficiente para cumprir a meta de eliminar a mutilação genital feminina até 2030, conforme previsto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Avanços recentes sob ameaça

Segundo o documento, ações adotadas nas últimas três décadas começam a surtir efeito. Hoje, quase dois terços da população em países onde a prática é comum dizem apoiar sua erradicação.

Metade de todo o progresso registrado desde 1990 ocorreu na última década. Nesse período, a proporção de meninas submetidas ao procedimento caiu de uma em cada duas para uma em cada três.

Apesar disso, as agências alertam para o risco de retrocesso diante da redução de investimentos globais em saúde, educação e proteção à infância. Cortes recentes já vêm limitando programas de prevenção e o atendimento a sobreviventes.

O texto também critica a disseminação de argumentos que tentam legitimar a prática quando realizada por médicos ou profissionais de saúde, o que, segundo a ONU, cria novos obstáculos à erradicação.

As agências destacam que já existem estratégias comprovadas para eliminar a mutilação genital feminina, como educação em saúde, envolvimento de líderes comunitários e religiosos, capacitação de profissionais de saúde e uso de mídias tradicionais e digitais.

O documento defende maior investimento em movimentos comunitários, redes juvenis e iniciativas de base, além da ampliação do acesso a atendimento médico, apoio psicossocial e assistência jurídica às sobreviventes.

Segundo a ONU, cada dólar investido na erradicação da prática pode gerar um retorno de dez dólares. Um aporte de US$ 2,8 bilhões permitiria prevenir cerca de 20 milhões de casos.

Ao final, os dirigentes reafirmam o compromisso de atuar com governos, setor privado, organizações locais e sobreviventes para eliminar definitivamente a mutilação genital feminina.