Saúde

Além da saúde: como o vício em tabaco afeta o orçamento e gera pobreza

Gasto contínuo com cigarro tira dinheiro de comida e moradia e aprofunda desigualdades entre famílias de baixa renda, apontam OMS e INCA

Da redação
DA REDAÇÃO

30/05/2026 • 18:00 • Atualizado em 30/05/2026 • 18:00

Além da saúde: como o vício em tabaco afeta o orçamento e gera pobreza

Além da saúde: como o vício em tabaco afeta o orçamento e gera pobreza

Pixabay

Órgãos internacionais de saúde alertam que o consumo de cigarros não compromete apenas o bem-estar físico, mas também desequilibra as finanças familiares e pode aprofundar situações de vulnerabilidade social no Brasil e no mundo.

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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o gasto contínuo com produtos de tabaco desvia parte relevante da renda de itens básicos, como comida, aluguel e contas de serviços, para sustentar a dependência da nicotina.

Esse efeito é mais intenso em países de baixa e média renda, onde vivem cerca de 80% dos 1,3 bilhão de usuários de tabaco no planeta, segundo a entidade.

Nesses contextos, cada maço comprado representa menos recursos para necessidades imediatas e reduz também a capacidade de poupar ou investir em educação.

O peso do cigarro no orçamento doméstico e na renda das famílias

Próximo ao Dia Mundial sem Tabaco, em 31 de maio, a OMS explica que, por se tratar de uma droga altamente viciante, muitas pessoas mantêm o consumo mesmo quando a renda diminui ou quando surgem outras despesas prioritárias. Isso torna o corte de gastos com cigarro especialmente difícil para famílias de baixa renda.

Na prática, esse padrão de gasto restringe o acesso a alimentação adequada, moradia digna e cuidados de saúde, criando um círculo em que a dependência drena recursos e contribui para manter as famílias em situação de pobreza.

Por que as populações mais vulneráveis são os maiores alvos da indústria

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) ressalta que é preciso observar o problema a partir dos chamados Determinantes Comerciais e Sociais da Saúde, conceito que analisa como estratégias de marketing, regulação, desigualdade de renda e condições de moradia influenciam diretamente o adoecimento da população.

Segundo o instituto, o consumo de produtos de tabaco não se distribui de forma homogênea: ele se concentra em grupos já marcados por desigualdades estruturais, como pessoas de baixa escolaridade, trabalhadores informais e moradores de áreas periféricas.

Na avaliação do INCA, crianças e adolescentes que crescem em ambientes onde o cigarro está muito presente no convívio familiar e comunitário ficam mais expostos à naturalização do hábito, o que aumenta a chance de iniciarem o uso precocemente e de reproduzirem o vício ao longo de gerações.

Impostos mais altos: a estratégia comprovada para reduzir o vício

Para reduzir o impacto do tabagismo entre os mais pobres, organismos internacionais defendem políticas de preço e impostos mais rigorosas sobre cigarros e outros produtos de tabaco.

De acordo com a OMS, tributar o tabaco é a medida mais eficaz e de menor custo para reduzir o consumo, sobretudo entre jovens e pessoas de baixa renda, justamente os grupos mais sensíveis a variações de preço.

Estimativas da organização indicam que um aumento de impostos que eleve os preços em 10% diminui o consumo em cerca de 4% em países de alta renda e em torno de 5% em países de baixa e média renda.

A Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, tratado internacional que o Brasil ratificou, recomenda que os governos adotem políticas tributárias consistentes e atualizadas como forma de desestimular o início do uso, favorecer a cessação e aliviar tanto os sistemas de saúde quanto o orçamento das famílias mais vulneráveis.

Fumo passivo mata 1,6 milhão de pessoas por ano

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo passivo mata cerca de 1,6 milhão de pessoas por ano em todo o mundo.

A OMS afirma que não existe nível seguro de exposição à fumaça de segunda mão, formada pela combinação da fumaça que sai da ponta acesa do cigarro com a expirada pelo fumante.

Mesmo contatos rápidos em ambientes fechados já bastam para que substâncias tóxicas entrem na circulação de quem não fuma.

A exposição involuntária aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, e de problemas respiratórios graves, entre eles bronquite crônica, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

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