Saúde

Anvisa aprova primeiro tratamento não hormonal para fogachos da menopausa

Fármaco age diretamente nos mecanismos envolvidos na termorregulação e representa um avanço para pacientes que convivem com sintomas persistentes

Da redação
DA REDAÇÃO

23/06/2026 • 14:03 • Atualizado em 23/06/2026 • 14:03

Medicamento não-hormonal ameniza os sintomas dos populares fogachos

Medicamento não-hormonal ameniza os sintomas dos populares fogachos

Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para tratar os sintomas das ondas de calor, popularmente conhecidos como fogachos ou suores noturnos. O fezolinetanto é indicado para amenizar os sintomas vasomotores da menopausa. O medicamento é uma alternativa não-hormonal para as pacientes que sofrem com este sintoma.

Compartilhar

Estima-se que até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos apresentem fogachos durante a transição menopausal. No Brasil, mais de um terço desse público relata sintomas de intensidade moderada a grave, que impactam diretamente o sono, a produtividade e o bem-estar diário.

Como funciona o tratamento?

Diferente da terapia hormonal, que é considerada o "padrão ouro" para a maioria das mulheres elegíveis, o fezolinetanto não atua por meio da reposição de estrogênio. O mecanismo de ação é focado diretamente no cérebro, especificamente no hipotálamo, região do sistema nervoso central responsável pelo controle da temperatura corporal.

A endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora médica da Atma Soma, explica que o fármaco bloqueia seletivamente os receptores de neurocinina-3 (NK3R), reduzindo a hiperatividade dos neurônios responsáveis pela instabilidade térmica. "É uma abordagem inovadora porque trata diretamente um dos mecanismos envolvidos nos sintomas, sem a necessidade de repor hormônios", destaca a médica.

Alternativa para casos específicos

Embora a terapia hormonal continue sendo a estratégia mais eficaz para muitas mulheres, existe um grupo de pacientes que não pode ou não deseja recorrer a ela. Segundo a ginecologista Fernanda Dib, a nova opção preenche uma lacuna importante. "Existe um grupo de pacientes que possui contraindicações, como histórico de eventos cardiovasculares, determinadas doenças hepáticas ou histórico de câncer de mama. Para essas mulheres, a chegada de uma opção eficaz e não hormonal amplia significativamente as possibilidades de cuidado", pontua a ginecologista.

A especialista reforça, no entanto, que o medicamento não é uma "solução universal". A escolha pelo tratamento depende de uma análise individualizada feita em consultório. "A aprovação não significa que ele será indicado para todas as pacientes oncológicas ou para todas as mulheres em geral. O histórico clínico, os tratamentos em curso e o perfil dos sintomas são fundamentais para definir a melhor conduta", acrescenta.

Mudanças de paradigma

A aprovação do medicamento, denominado comercialmente de Veoza ocorre em um momento em que a medicina revisita a compreensão da menopausa. Estudos de neuroimagem têm demonstrado que a transição hormonal afeta circuitos cerebrais ligados à memória, ao sono e ao humor, reforçando que a menopausa vai muito além da "falência ovariana".

Para os especialistas, o objetivo final é garantir que a mulher não precise aceitar o sofrimento como parte inevitável do envelhecimento. "Menopausa não é apenas o fim da fase reprodutiva. É uma transição biológica complexa que merece atenção, acolhimento e tratamento. Quanto mais opções tivermos para individualizar o cuidado, melhor será a qualidade de vida dessas mulheres", conclui Rascovski.

Embora aprovado pela Anvisa, o Veoza ainda não tem preço definido nem data oficial de lançamento no mercado brasileiro. O valor do medicamento passará pelo crivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de chegar às prateleiras. Enquanto isso, médicos recomendam que pacientes em busca de auxílio procurem profissionais capacitados para avaliar o melhor caminho terapêutico para cada caso.

Tópicos relacionados