Saúde

Atividade física sem preparo eleva risco de lesões e problemas cardíacos

Falta de avaliação médica e pressa por resultados podem comprometer articulações e sobrecarregar o coração

Da redação
DA REDAÇÃO

27/01/2026 • 12:05 • Atualizado em 27/01/2026 • 12:05

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Com a chegada do novo ano, cresce o número de pessoas decididas a abandonar o sedentarismo e adotar uma rotina mais ativa. A iniciativa é positiva e respaldada por evidências científicas: a prática regular de atividade física está associada ao aumento da longevidade e à redução do risco de doenças cardiovasculares, mesmo quando realizada em níveis leves ou moderados.

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No entanto, especialistas alertam que a transição abrupta do repouso para o esforço intenso, sem preparo adequado, pode trazer riscos à saúde.

A ausência de avaliação médica e a pressa por resultados rápidos estão entre os principais fatores que aumentam a incidência de problemas cardíacos e lesões ortopédicas em pessoas que retomam ou iniciam atividades físicas de forma inadequada. Embora o exercício seja um dos pilares da prevenção de doenças, quando feito sem critério pode transformar uma decisão saudável em um novo problema médico.

Avaliação médica é essencial para proteger o coração

Segundo o cardiologista Gustavo Lenci Marques, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, a avaliação clínica antes de iniciar exercícios mais intensos é fundamental para identificar fatores de risco ocultos.

“Caminhadas leves geralmente são liberadas sem grandes restrições, mas atividades regulares de maior intensidade ou caráter competitivo exigem um check-up prévio, especialmente em pessoas que não eram fisicamente ativas”, explica.

O alerta é ainda mais importante para quem possui histórico familiar de doenças cardíacas, sobretudo casos de morte súbita. Condições genéticas silenciosas podem se manifestar durante o esforço físico, aumentando o risco de eventos graves se não forem previamente identificadas.

Estrutura muscular fragilizada aumenta risco de lesões

Além do coração, músculos e articulações também sofrem com a retomada inadequada das atividades. Distensões, estiramentos e dores lombares são queixas comuns entre iniciantes. De acordo com o ortopedista Eduardo Novak, do Hospital Universitário Cajuru, o problema está na fragilidade da musculatura em pessoas sedentárias.

“O sistema muscular funciona como a suspensão de um carro. Assim como os amortecedores protegem o veículo, os músculos protegem as articulações. Quando essa musculatura está enfraquecida, qualquer sobrecarga altera o centro de gravidade e aumenta o risco de lesões no sistema osteoarticular”, detalha o especialista.

Atenção aos sinais do corpo e progressão gradual

Durante a prática esportiva, o corpo emite sinais claros que não devem ser ignorados. Do ponto de vista cardiovascular, dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço e tontura são indicativos para interromper imediatamente a atividade e buscar avaliação médica.

“Conhecer os próprios limites é essencial. Exames em dia e um plano de treino personalizado fazem toda a diferença”, reforça o cardiologista.

Na prevenção de lesões ortopédicas, o aquecimento adequado é indispensável. A recomendação é iniciar com cargas leves, aumentar a intensidade gradualmente e respeitar o tempo de adaptação do corpo. A orientação de profissionais qualificados ajuda a ajustar os exercícios ao biotipo e às condições individuais. “Resultados rápidos não existem. A pressa pode transformar um sedentário em um sedentário lesionado”, resume Novak.