Canetas emagrecedoras do Paraguai: riscos e por que são proibidas no Brasil
Produtos sem registro na Anvisa prometem emagrecimento rápido, mas oferecem riscos graves à saúde e são alvo de proibição e investigação sanitária

A promessa de emagrecimento rápido e fácil tem impulsionado a venda das chamadas “canetinhas emagrecedoras do Paraguai”, produtos injetáveis divulgados de forma clandestina nas redes sociais e em mercados paralelos.
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Apesar de alegarem conter substâncias modernas usadas no tratamento da obesidade, autoridades de saúde alertam: esses medicamentos não têm registro no Brasil, representam alto risco à saúde e estão no centro de investigações sanitárias e policiais.
Desde janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a proibição total da venda, importação, propaganda e uso dessas canetas em território brasileiro, classificando o comércio como crime contra a saúde pública.
O que são as “canetas emagrecedoras do Paraguai”
Trata-se de dispositivos injetáveis semelhantes aos usados em medicamentos conhecidos para tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. No entanto, diferentemente desses produtos, as versões paraguaias não passaram pela avaliação de segurança, eficácia e qualidade exigida pela Anvisa.
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As marcas mais apreendidas pelas autoridades brasileiras incluem:
- Lipoless e Lipoless Eticos
- T.G. 5 e T.G. Indufar
- Tirzazep
- Synedica
Esses produtos são frequentemente anunciados como alternativas “mais baratas” aos medicamentos regulamentados, sem necessidade de receita médica.
Quais substâncias elas dizem conter
As canetas paraguaias afirmam conter princípios ativos modernos, mas sem comprovação técnica adequada. Entre eles:
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Tirzepatida: substância que atua nos receptores GLP-1 e GIP, usada legalmente em medicamentos aprovados, mas apenas quando fabricada sob rigoroso controle sanitário.
Semaglutida: princípio ativo presente em medicamentos autorizados, mas cuja manipulação exige cadeia de frio e rastreabilidade.
Retatrutida: substância experimental, ainda sem aprovação para uso comercial em qualquer país, restrita a estudos clínicos.
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Além disso, laudos citados por autoridades sanitárias e relatos médicos apontam a presença de impurezas químicas, solventes inadequados e risco de contaminação bacteriana, decorrentes da falta de esterilidade e controle no processo de fabricação.
Elas são permitidas no Paraguai?
Parcialmente. Alguns laboratórios paraguaios, como Indufar e Eticos, possuem registro de determinados produtos junto à DINAVISA (Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai) para uso interno e sob prescrição médica.
No entanto, a exportação para o Brasil é ilegal, já que os produtos não têm registro na Anvisa. A entrada no país ocorre por contrabando, geralmente sem controle de temperatura, armazenamento adequado ou comprovação de origem — fatores que anulam qualquer segurança farmacêutica.
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Quais são os riscos à saúde
Autoridades de saúde classificam o uso dessas canetas como de alto risco, mesmo quando o rótulo indica substâncias conhecidas. Entre os principais perigos estão:
- Efeitos gastrointestinais severos, como vômitos persistentes, diarreia intensa e desidratação.
- Problemas cardiovasculares, incluindo taquicardia, arritmias e picos de pressão arterial.
- Riscos neurológicos, com relatos de tonturas incapacitantes e, em investigação recente, possível associação com a Síndrome de Guillain-Barré.
- Infecções graves, como abscessos no local da aplicação e infecções generalizadas, causadas pela falta de esterilidade no envase.
- Casos de internação em UTI, com registros de falência renal e complicações hepáticas após o uso desses produtos.
Segundo a Anvisa, mesmo que o princípio ativo seja verdadeiro, não há garantia de dosagem correta, estabilidade do medicamento ou segurança microbiológica.
Proibição e alerta das autoridades
A Resolução RE nº 192/2026, publicada pela Anvisa em 21 de janeiro de 2026, consolidou a proibição de marcas específicas e reforçou que qualquer caneta emagrecedora sem registro sanitário é considerada produto irregular.
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O órgão também alerta que a compra, venda ou divulgação desses medicamentos pode resultar em responsabilização civil e criminal, além de graves danos à saúde.
Orientação ao consumidor
Especialistas reforçam que medicamentos para emagrecimento só devem ser usados com prescrição médica e adquiridos em farmácias regularizadas. A promessa de resultados rápidos, sem acompanhamento profissional, é um dos principais sinais de alerta para golpes ou produtos perigosos.
