Saúde

Canetas emagrecedoras e facetas podem dar mau hálito, dizem especialistas

Alterações no fluxo salivar, falhas técnicas e higiene inadequada estão entre os fatores associados à halitose

Da redação
DA REDAÇÃO

09/04/2026 • 12:54 • Atualizado em 09/04/2026 • 12:54

Reprodução/Jornal da Band

Resumo

Uso de canetas emagrecedoras e popularização de procedimentos estéticos como facetas dentais têm provocado discussões sobre impactos na saúde, especialmente pelo possível favorecimento indireto do mau hálito, segundo especialistas.

Estudos indicam que essas práticas podem afetar o fluxo salivar, aumentar casos de boca seca e facilitar o mau odor, enquanto falhas em técnicas ou manutenção de facetas podem gerar inflamação gengival, acúmulo de placa bacteriana e doenças periodontais.

Medidas de prevenção envolvem hidratação adequada, estímulo à salivação, higiene bucal rigorosa, limpeza diária da língua e acompanhamento odontológico, visando reduzir riscos de halitose e problemas associados.

O uso de canetas emagrecedoras e a popularização de procedimentos estéticos como facetas dentais têm levantado discussões sobre possíveis impactos na saúde — incluindo a saúde bucal. Especialistas alertam que, embora não sejam causas diretas, ambos podem contribuir para o desenvolvimento de mau hálito (halitose) por mecanismos indiretos.

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Nos últimos anos, as chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço entre os brasileiros. Levantamento do Instituto Locomotiva indica que 62% da população conhece alguém que faz ou já fez uso desses medicamentos. Apesar da popularidade, o tema ainda divide opiniões na comunidade científica.

Um estudo da Universidade de São Paulo, publicado na revista Obesity, aponta que o uso sem indicação clínica pode trazer impactos psicológicos e outros efeitos à saúde, especialmente pela falta de pesquisas que avaliem a segurança em pacientes sem acompanhamento médico.

Impactos na saúde bucal

Na odontologia, os efeitos das canetas emagrecedoras não são considerados diretos, mas podem favorecer alterações no hálito. De acordo com o cirurgião-dentista Mario Sergio Giorgi, especialista em Dentística e convidado do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, esses medicamentos podem interferir no fluxo salivar.

Segundo ele, a redução da ingestão de alimentos e líquidos, comum durante o uso, pode levar à xerostomia (boca seca). Essa condição facilita a produção de compostos sulfurados voláteis — substâncias associadas ao mau odor.

Além disso, em alguns casos, a diminuição calórica pode levar à formação de corpos cetônicos, que também alteram o hálito. Ainda assim, o especialista ressalta que a principal causa da halitose continua sendo de origem bucal, relacionada à saburra lingual e à doença periodontal.

Facetas dentais e risco de inflamação

O uso de facetas e lentes de contato dental, bastante difundido em procedimentos estéticos, também não deveria causar alterações no hálito quando realizado corretamente. No entanto, falhas técnicas ou manutenção inadequada podem gerar problemas.

Entre os principais fatores de risco estão o sobrecontorno — quando a peça apresenta tamanho ou formato excessivo — e a má adaptação das margens. Essas condições dificultam a higienização, favorecem o acúmulo de placa bacteriana e podem levar à gengivite.

Processos inflamatórios na gengiva, especialmente com sangramento, estão diretamente associados à alteração do hálito. Em casos mais graves, a chamada microinfiltração pode permitir a retenção de bactérias, contribuindo para doenças periodontais.

Cuidados e prevenção

Para reduzir o risco de halitose, especialistas recomendam medidas específicas de acordo com cada situação. Usuários de canetas emagrecedoras devem manter hidratação adequada — com ingestão média de 35 ml de água por quilo de peso corporal — e estimular a salivação, por exemplo, com chicletes sem açúcar.

Já pacientes com facetas dentais devem manter uma rotina rigorosa de higiene bucal, incluindo escovação adequada, uso de fio dental e escovas interdentais, além de acompanhamento regular com o dentista para avaliação das peças.

Independentemente do caso, a limpeza diária da língua é considerada essencial, já que a saburra lingual é apontada como a principal causa do mau hálito. Avaliações periódicas da saúde periodontal e a redução de períodos prolongados de jejum também fazem parte das orientações gerais.

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