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Resumo
Pesquisadores de centros internacionais anunciaram avanços no combate ao vírus Epstein-Barr, com descobertas entre 2025 e 2026 que apontam novas formas de impedir infecção e replicação, envolvendo doenças como mononucleose, câncer e esclerose múltipla.
Estudos identificaram o receptor R9AP como mecanismo universal de entrada do vírus, desenvolveram anticorpos monoclonais contra glicoproteínas essenciais como gp350 e gp42, e testaram o fármaco experimental VK-2019, que bloqueia a proteína EBNA1 e mostrou segurança em ensaio clínico de fase 1.
Especialistas destacam a convergência das pesquisas em impedir a entrada e a permanência do vírus nas células, com perspectivas positivas para o controle do EBV, embora ainda faltem estudos de fase 3 que comprovem eficácia em larga escala para prevenção de doenças graves.
Pesquisadores de diferentes centros internacionais anunciaram avanços significativos no combate ao vírus Epstein-Barr (EBV), um patógeno altamente disseminado associado a doenças como mononucleose, alguns tipos de câncer e à esclerose múltipla. As descobertas, divulgadas entre 2025 e 2026, apontam caminhos promissores para impedir a infecção e a replicação do vírus no organismo humano.
Os estudos se concentram em três frentes principais: a identificação de um receptor-chave usado pelo vírus para invadir células, o desenvolvimento de anticorpos capazes de neutralizá-lo e a criação de um fármaco que bloqueia sua replicação.
Uma das descobertas mais relevantes veio de pesquisadores do Sun Yat-sen University Cancer Center, que identificaram a proteína R9AP como o primeiro receptor universal do EBV. Esse mecanismo permite que o vírus entre tanto em células epiteliais quanto em células B do sistema imunológico. Em laboratório, o bloqueio desse receptor com anticorpos e peptídeos reduziu de forma significativa a capacidade de infecção.
Outra linha de pesquisa, conduzida no Fred Hutch Cancer Center, resultou no desenvolvimento de anticorpos monoclonais humanos que atuam diretamente nas glicoproteínas do vírus, como gp350 e gp42. Esses componentes são essenciais para que o EBV se ligue e se funda às células humanas. Em testes com modelos experimentais, os anticorpos — especialmente o direcionado à gp42 — impediram a infecção ao bloquear esse processo de fusão.
Já no campo farmacológico, cientistas do The Wistar Institute, em colaboração com a Stanford University, testaram uma molécula experimental chamada VK-2019. O composto atua sobre a proteína EBNA1, fundamental para a manutenção e replicação do vírus dentro das células infectadas. Em ensaio clínico de fase 1, o medicamento demonstrou segurança e sinais iniciais de eficácia em pacientes com tumores associados ao EBV.
Especialistas apontam que há uma convergência nas pesquisas: o foco está em interromper tanto a entrada do vírus nas células quanto sua capacidade de permanecer ativo no organismo. Apesar dos resultados promissores, ainda não há estudos de fase 3 concluídos que comprovem a eficácia dessas abordagens em larga escala para prevenção de doenças como a mononucleose ou a esclerose múltipla.
Os avanços, no entanto, reforçam a perspectiva de que o controle do vírus Epstein-Barr — que infecta a maior parte da população mundial ao longo da vida — pode se tornar mais viável nos próximos anos, com impacto potencial na prevenção de doenças graves associadas ao patógeno.

