Saúde

Cirurgia Bariátrica atinge pico histórico de interesse após mudança de regras

Conselho Federal de Medicina ampliou permissão para pessoas realizarem o procedimento

Igor Peixoto
IGOR PEIXOTO

20/05/2025 • 17:03 • Atualizado em 20/05/2025 • 17:03

CFM amplia regras da cirurgia bariátrica

CFM amplia regras da cirurgia bariátrica

Reprodução/Governo de SP

O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu ampliar a permissão para outros tipos de pacientes realizarem a Cirurgia Bariátrica.

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A novidade gira em torno de pacientes com IMC entre 30 e 35, que passam a ser elegíveis à cirurgia desde que tenham diabetes tipo 2, doença cardiovascular com lesão em órgão alvo, doença renal crônica precoce em decorrência do diabetes tipo 2, apneia do sono grave, doença gordurosa hepática não alcoólica com fibrose, afecções com indicação de transplante, refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica ou osteoartrose grave. A nova resolução também diminui a idade mínima para a cirurgia Bariátrica de 16 para 14 anos.

A decisão movimentou as buscas por Cirurgia Bariátrica no Brasil. A Sala Digital Band Google traz os dados:

O Brasil é o país com maior interesse de busca por cirurgia bariátrica nos últimos cinco anos, de acordo com o Google Trends.

No Brasil, o índice de interesse cresceu 23% quando comparados os últimos cinco anos com os cinco anos anteriores.

O que é cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago ou cirurgia da obesidade, é considerada um dos tratamentos mais eficazes para tratar a obesidade grave ou mórbida e as doenças causadas pelo excesso de peso e gordura corporal. Ela envolve a redução do tamanho do estômago e/ou a alteração da rota dos alimentos no trato digestivo, o que diminui a quantidade de comida que o estômago suporta e reduz a absorção de calorias, facilitando a perda de peso.

Quanto custa bariátrica?

O custo de uma cirurgia bariátrica pode variar entre R$ 20.000 e R$ 60.000, dependendo do hospital escolhido e da complexidade do caso. Este valor geralmente inclui consultas iniciais, exames pré-operatórios, o procedimento cirúrgico realizado em hospitais e acompanhamento pós-operatório com uma equipe multidisciplinar. Um pacote de exames e consultas pré-operatórias pode custar de R$ 3.500 a R$ 6.000, dependendo da quantidade de exames. Embora o investimento inicial possa parecer alto, é considerado um investimento com benefícios financeiros e de saúde a longo prazo, como a redução de gastos médicos, melhora na qualidade de vida e prevenção de doenças graves.

Como fazer bariátrica?

Pelo SUS, o processo começa com uma consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS). Se o paciente preencher os critérios de IMC e comorbidades, será encaminhado para um centro de referência em obesidade e inserido em uma lista de espera, que pode ser longa. Há também avaliações multiprofissionais e pré-operatórias, que podem levar de 6 meses a 2 anos para serem concluídas. Pelo convênio, o processo envolve consultar um especialista (endocrinologista ou cirurgião bariátrico), realizar exames pré-operatórios (incluindo endoscopia, ultrassons, exames de sangue, etc.) e acompanhamento com uma equipe multiprofissional (nutricionista, psicólogo, etc.). É necessário cumprir os requisitos do plano de saúde e obter a autorização para a cirurgia.

Quem pode fazer bariátrica?

A cirurgia bariátrica é geralmente indicada para pessoas com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 40 kg/m², independentemente de comorbidades. Também pode ser indicada para pessoas com IMC acima de 35 kg/m² que possuem outras condições médicas relacionadas à obesidade, como diabetes, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, entre outras, pois essas doenças aumentam o risco de vida. Além disso, em alguns casos, pode ser indicada para pessoas com IMC entre 30 e 34,9 kg/m² que apresentam comorbidades que colocam sua vida em risco ou outras condições médicas graves relacionadas à obesidade. É importante notar que a cirurgia bariátrica é indicada para pacientes que já tentaram emagrecer de outras formas, como dietas e exercícios, mas não obtiveram sucesso.

Como é a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica altera o formato original do estômago para reduzir a quantidade de alimentos que ele suporta e pode também diminuir a absorção de calorias, facilitando a perda de peso. Existem diferentes técnicas aprovadas no Brasil:

Bypass Gástrico: Técnica mais praticada no Brasil (cerca de 75% das cirurgias). Envolve o grampeamento de parte do estômago para reduzir seu tamanho e um desvio do intestino inicial. Isso reduz o espaço para o alimento e promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Leva a uma perda de 70% a 80% do excesso de peso inicial e ajuda a controlar diabetes e outras doenças.

Gastrectomia Vertical (Sleeve): O estômago é transformado em um tubo com capacidade de 80 a 100 ml. Remove uma parte do estômago sem alterar o trânsito do alimento pelo intestino delgado. Causa uma boa perda de peso, comparável ao bypass, e tem boa eficácia no controle da hipertensão e doenças dos lipídeos. Alguns cirurgiões acreditam que em breve será a cirurgia mais realizada.

Derivação Bileopancreática: Associa gastrectomia vertical e desvio intestinal. 60% do estômago é retirado, mas a anatomia básica e fisiologia de esvaziamento são mantidas. O desvio intestinal reduz a absorção de nutrientes. Corresponde a 5% dos procedimentos e leva à perda de 75% a 85% do excesso de peso inicial.

Banda Gástrica Ajustável: Técnica menos invasiva e reversível. Um anel de silicone inflável e ajustável é instalado ao redor do estômago, permitindo controlar o esvaziamento do órgão. É puramente restritiva e representa menos de 1% dos procedimentos no Brasil, sendo praticamente abandonada. Tem a desvantagem da presença do anel, que é uma prótese.

Muitas dessas técnicas são realizadas por videolaparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenos orifícios (incisões de 0,5 a 1,2 cm) para introduzir pinças cirúrgicas e uma câmera, evitando um grande corte abdominal. A videolaparoscopia tem vantagens como menos dor no pós-operatório, menor índice de infecção, rápido retorno às atividades e é esteticamente superior.

Após a cirurgia, o paciente enfrenta um período de adaptação, incluindo desconforto físico e uma dieta restrita, começando com líquidos e progredindo gradualmente para alimentos sólidos. O acompanhamento médico, nutricional e psicológico é fundamental.

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