
Lula
REUTERS/Jorge Silva
Resumo
Cirurgia de catarata realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva destaca procedimento considerado de rotina e seguro, indicado para tratar a principal causa de cegueira reversível no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Catarata consiste na opacificação do cristalino, com sintomas como visão embaçada e sensibilidade à luz, sendo tratada exclusivamente por cirurgia quando a perda de visão interfere nas atividades diárias; fatores de risco incluem envelhecimento, diabetes e uso prolongado de corticoides.
Procedimento cirúrgico é feito por facoemulsificação, com fragmentação e remoção do cristalino opaco e implantação de lente intraocular, oferecendo alta taxa de sucesso e recuperação rápida, sendo as principais opções de lentes monofocais, multifocais e tóricas, conforme avaliação médica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa por uma cirurgia de catarata no olho esquerdo na manhã desta sexta-feira (30), em Brasília. O procedimento, considerado de rotina na medicina oftalmológica, reacende a atenção para uma condição que é a principal causa de cegueira reversível no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na véspera da cirurgia, Lula realizou exames pré-operatórios e manteve a agenda de trabalho normalmente, de acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). A previsão é de recuperação rápida, sem necessidade de afastamento prolongado das atividades.
Mas, afinal, o que é catarata, quem precisa operar e como funciona a cirurgia?
O que é catarata
A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho responsável por focar a luz na retina. Com o tempo, essa lente perde transparência, provocando visão embaçada, sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir à noite e perda progressiva da nitidez.
A forma mais comum é a catarata senil, associada ao envelhecimento natural, mas a doença também pode surgir em pessoas mais jovens por fatores como diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares ou predisposição genética.
De acordo com a OMS, a catarata responde por cerca de 50% dos casos de cegueira no mundo, justamente por avançar de forma lenta e silenciosa.
Quando a cirurgia é indicada
Não existe colírio, medicamento ou óculos capazes de reverter a catarata. O tratamento é exclusivamente cirúrgico.
A cirurgia é indicada quando a perda de visão começa a interferir nas atividades do dia a dia, como leitura, trabalho, locomoção ou reconhecimento de rostos. Não é necessário “esperar a catarata amadurecer”, como se acreditava no passado — a decisão é funcional, não estética.
Como é feita a cirurgia de catarata
O método mais utilizado atualmente é a facoemulsificação, considerada padrão ouro no mundo. O procedimento é minimamente invasivo e dura, em média, 15 a 30 minutos.
Funciona assim:
- o cristalino opaco é fragmentado por ultrassom;
- os fragmentos são aspirados;
- no lugar, é implantada uma lente intraocular artificial (LIO).
A cirurgia é feita com anestesia local, geralmente em regime ambulatorial, e o paciente recebe alta no mesmo dia.
Segundo o National Eye Institute, cerca de 90% dos pacientes operados apresentam melhora significativa da visão.
Tipos de lentes intraoculares
Existem diferentes tipos de lentes implantadas durante a cirurgia:
- Monofocais: corrigem a visão para uma distância específica (geralmente para longe);
- Multifocais ou trifocais: permitem enxergar melhor para perto, intermediário e longe;
- Tóricas: indicadas para quem tem astigmatismo.
A escolha depende de fatores clínicos, do estilo de vida do paciente e da avaliação médica. No SUS, o procedimento é oferecido com lentes monofocais.
Pós-operatório e recuperação
A recuperação costuma ser rápida. Em poucos dias, o paciente já percebe melhora da visão, embora o resultado final possa levar algumas semanas.
No pós-operatório, é comum a recomendação de:
- uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios;
- evitar esforço físico intenso nos primeiros dias;
- não coçar os olhos;
- comparecer às consultas de acompanhamento.
Complicações são raras, mas podem incluir infecção, inflamação ou alteração da pressão ocular, reforçando a importância do acompanhamento médico.

