
Cirurgia para Parkinson no SUS: quem pode fazer e quais os benefícios?
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Para quem convive com o Parkinson, o tempo é medido pela eficácia dos remédios. Quando as doses de levodopa já não dão conta de controlar os tremores ou a rigidez, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma alternativa tecnológica robusta: a Estimulação Cerebral Profunda (DBS).
Mais do que um procedimento cirúrgico, a técnica surge como um divisor de águas para pacientes em estágios avançados que buscam resgatar a independência nas atividades mais simples do dia a dia.
Estimulação Cerebral Profunda (DBS): como funciona a cirurgia do Parkinson
A estimulação cerebral profunda consiste no implante de eletrodos em áreas específicas do cérebro, ligados a um gerador de pulsos elétricos colocado sob a pele, geralmente na região do tórax. Os estímulos enviados ao cérebro ajudam a regular os circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos.
De acordo com o protocolo do SUS, os principais objetivos do procedimento são reduzir a intensidade dos períodos de incapacidade (os períodos OFF), aumentar o tempo de benefício motor ao longo do dia e diminuir as discinesias, que são movimentos involuntários causados, em geral, pelo uso prolongado de certos medicamentos.
Os especialistas destacam que a cirurgia busca uma melhora importante na capacidade de realizar atividades da vida diária e na qualidade de vida. Porém, é essencial alinhar expectativas: a DBS não cura a doença nem interrompe a sua progressão.
O tratamento cirúrgico só é considerado quando a terapia medicamentosa otimizada deixa de garantir controle adequado dos sintomas.
Quem é o candidato ideal para o procedimento?
No SUS, a indicação da cirurgia é criteriosa. O candidato ideal é o paciente com diagnóstico estabelecido de doença de Parkinson e pelo menos cinco anos de evolução, que apresente complicações motoras incapacitantes já não controladas de forma satisfatória com o esquema de remédios disponível.
Outro ponto fundamental é que os sintomas ainda respondam à levodopa, mesmo que de forma flutuante, exceto nos casos em que o tremor intenso e resistente ao tratamento é o sintoma predominante.
A equipe de referência avalia o quadro clínico geral, a cognição e as expectativas do paciente antes de indicar a cirurgia.
Após o implante, o acompanhamento contínuo com equipe especializada é indispensável para ajustar o dispositivo, revisar as medicações e monitorar possíveis efeitos colaterais, sempre com foco na segurança e no ganho funcional.
A lista atualizada de remédios fornecidos pelo SUS
Antes de qualquer indicação cirúrgica, o tratamento medicamentoso sintomático é a base do cuidado desde o diagnóstico, com o objetivo de reduzir a incapacidade funcional.
O protocolo do SUS garante acesso gratuito a uma lista atualizada de medicamentos de alto custo, que deve ser ofertada em todo o país.
Entre esses remédios está a levodopa combinada à carbidopa ou à benserazida, considerada a opção mais eficaz nas fases mais avançadas da doença. O uso correto e ajustado dessa medicação é essencial para retardar a necessidade de procedimentos mais complexos.
O protocolo também assegura o fornecimento de pramipexol e rasagilina, amplamente recomendados para o tratamento combinado, a prevenção e o controle das flutuações motoras, que incluem os períodos OFF e as discinesias.
Para garantir que essas terapias cheguem a quem precisa, gestores estaduais, do Distrito Federal e municipais do SUS têm a obrigação de estruturar a rede assistencial, definir serviços de referência e estabelecer fluxos claros de atendimento para todas as etapas da doença.
Além disso, deve ser fornecido o Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER), que assegura a informação ao paciente ou ao responsável legal sobre riscos, benefícios, possíveis efeitos colaterais e alternativas terapêuticas de cada procedimento ou medicamento indicado.

