Saúde

Cirurgia para Parkinson no SUS: quem pode fazer e quais os benefícios?

Estimulação cerebral profunda é indicada a pacientes com doença avançada

Da redação
DA REDAÇÃO

01/04/2026 • 18:00 • Atualizado em 01/04/2026 • 18:00

Cirurgia para Parkinson no SUS: quem pode fazer e quais os benefícios?

Cirurgia para Parkinson no SUS: quem pode fazer e quais os benefícios?

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Para quem convive com o Parkinson, o tempo é medido pela eficácia dos remédios. Quando as doses de levodopa já não dão conta de controlar os tremores ou a rigidez, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma alternativa tecnológica robusta: a Estimulação Cerebral Profunda (DBS).

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Mais do que um procedimento cirúrgico, a técnica surge como um divisor de águas para pacientes em estágios avançados que buscam resgatar a independência nas atividades mais simples do dia a dia.

Estimulação Cerebral Profunda (DBS): como funciona a cirurgia do Parkinson

A estimulação cerebral profunda consiste no implante de eletrodos em áreas específicas do cérebro, ligados a um gerador de pulsos elétricos colocado sob a pele, geralmente na região do tórax. Os estímulos enviados ao cérebro ajudam a regular os circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos.

De acordo com o protocolo do SUS, os principais objetivos do procedimento são reduzir a intensidade dos períodos de incapacidade (os períodos OFF), aumentar o tempo de benefício motor ao longo do dia e diminuir as discinesias, que são movimentos involuntários causados, em geral, pelo uso prolongado de certos medicamentos.

Os especialistas destacam que a cirurgia busca uma melhora importante na capacidade de realizar atividades da vida diária e na qualidade de vida. Porém, é essencial alinhar expectativas: a DBS não cura a doença nem interrompe a sua progressão.

O tratamento cirúrgico só é considerado quando a terapia medicamentosa otimizada deixa de garantir controle adequado dos sintomas.

Quem é o candidato ideal para o procedimento?

No SUS, a indicação da cirurgia é criteriosa. O candidato ideal é o paciente com diagnóstico estabelecido de doença de Parkinson e pelo menos cinco anos de evolução, que apresente complicações motoras incapacitantes já não controladas de forma satisfatória com o esquema de remédios disponível.

Outro ponto fundamental é que os sintomas ainda respondam à levodopa, mesmo que de forma flutuante, exceto nos casos em que o tremor intenso e resistente ao tratamento é o sintoma predominante.

A equipe de referência avalia o quadro clínico geral, a cognição e as expectativas do paciente antes de indicar a cirurgia.

Após o implante, o acompanhamento contínuo com equipe especializada é indispensável para ajustar o dispositivo, revisar as medicações e monitorar possíveis efeitos colaterais, sempre com foco na segurança e no ganho funcional.

A lista atualizada de remédios fornecidos pelo SUS

Antes de qualquer indicação cirúrgica, o tratamento medicamentoso sintomático é a base do cuidado desde o diagnóstico, com o objetivo de reduzir a incapacidade funcional.

O protocolo do SUS garante acesso gratuito a uma lista atualizada de medicamentos de alto custo, que deve ser ofertada em todo o país.

Entre esses remédios está a levodopa combinada à carbidopa ou à benserazida, considerada a opção mais eficaz nas fases mais avançadas da doença. O uso correto e ajustado dessa medicação é essencial para retardar a necessidade de procedimentos mais complexos.

O protocolo também assegura o fornecimento de pramipexol e rasagilina, amplamente recomendados para o tratamento combinado, a prevenção e o controle das flutuações motoras, que incluem os períodos OFF e as discinesias.

Para garantir que essas terapias cheguem a quem precisa, gestores estaduais, do Distrito Federal e municipais do SUS têm a obrigação de estruturar a rede assistencial, definir serviços de referência e estabelecer fluxos claros de atendimento para todas as etapas da doença.

Além disso, deve ser fornecido o Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER), que assegura a informação ao paciente ou ao responsável legal sobre riscos, benefícios, possíveis efeitos colaterais e alternativas terapêuticas de cada procedimento ou medicamento indicado.

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