Saúde

Dor de dente ou sinusite? A infecção que começa na boca e vai ao rosto

Condição ligada à arcada superior exige diagnóstico rápido e atuação conjunta de otorrino e dentista

Da redação
DA REDAÇÃO

10/07/2026 • 18:00 • Atualizado em 10/07/2026 • 18:00

Dor de dente ou sinusite? A infecção que começa na boca e vai ao rosto

Dor de dente ou sinusite? A infecção que começa na boca e vai ao rosto

Divulgação/Freepik

Em consultórios de otorrinolaringologia e odontologia, médicos alertam que dores na face e no nariz podem ter origem nos dentes.

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A chamada sinusite odontogênica, infecção que começa na boca e alcança o seio maxilar, costuma ser confundida com a sinusite 'comum' e, se não for identificada, prolonga o sofrimento do paciente.

Entender quando a inflamação do seio da face está ligada a cáries graves, infecções na raiz ou implantes é essencial para buscar o especialista certo e evitar tratamentos que não funcionam.

O que é a sinusite odontogênica?

A sinusite odontogênica é um tipo específico de rinossinusite causado por uma alteração ou infecção dentária que afeta a mucosa do seio maxilar.

O assoalho desse seio fica muito próximo às raízes dos dentes superiores, o que facilita a passagem de bactérias da boca para a cavidade nasal e para o rosto.

Entre as causas mais frequentes estão lesões periodontais, infecções nas raízes dos dentes superiores, cáries profundas, fraturas dentárias e fístulas que podem surgir após extrações.

Procedimentos como implantes e reconstruções também podem abrir comunicação entre a boca e o seio maxilar quando há falhas, aumentando o risco de inflamação persistente.

Com a popularização dos implantes dentários e de tratamentos estéticos na arcada superior, especialistas relatam um crescimento dos casos em que o primeiro sintoma aparece no rosto, e não na boca, o que dificulta o diagnóstico por leigos.

Sinais de alerta: dor unilateral e mau cheiro no nariz

A sinusite odontogênica compartilha sintomas com a rinossinusite tradicional, como congestão, sensação de peso no rosto e secreção nasal.

No entanto, alguns sinais de alerta ajudam a diferenciar o problema. O principal é que a dor facial e o inchaço costumam ser unilaterais, concentrados em apenas um lado da face, geralmente correspondente ao dente comprometido.

Outro indicativo importante é a presença de odor nasal fétido, descrito como mau cheiro ou secreção fétida saindo pelo nariz. Dor de dente no mesmo lado do rosto, dentes em mau estado, inflamação na gengiva e histórico de manipulação dentária prévia, como extrações, canais ou implantes, reforçam a suspeita.

A ausência de dor de dente, porém, não afasta o diagnóstico. Em muitos pacientes, o problema na raiz é silencioso e só se manifesta como sinusite.

Por isso, quando a sinusite atinge sempre o mesmo lado, volta com frequência ou não melhora com tratamentos habituais, é recomendado investigar a arcada superior.

Tratamento em dose dupla: o otorrino e o dentista

O principal erro no manejo da sinusite odontogênica é tratar apenas a inflamação do seio da face, sem corrigir a origem dentária. Nesses casos, o uso isolado de antibióticos costuma falhar, e o paciente convive com episódios repetidos de dor e secreção, porque a fonte da infecção permanece ativa no dente ou na gengiva.

Como a doença tem origem oral definida, o cuidado precisa ser em 'dose dupla', com atuação conjunta do otorrinolaringologista e do dentista.

O profissional de odontologia avalia quais dentes estão comprometidos e pode indicar tratamento de canal, controle de periodontite, correção de implantes ou fechamento de fístulas entre boca e seio maxilar.

Ao mesmo tempo, o otorrino cuida da infecção do seio da face, prescrevendo antibióticos que alcancem as bactérias da flora oral, além de descongestionantes, lavagens nasais e outras medidas de suporte, conforme cada caso.

Quando o tratamento clínico e a correção dentária não resolvem totalmente o quadro, ou quando a doença se torna crônica com obstrução importante, a cirurgia endoscópica nasossinusal pode ser necessária para a cura definitiva.

Esse procedimento, realizado por dentro do nariz com câmeras e instrumentos delicados, busca restabelecer a drenagem e a ventilação do seio maxilar, removendo secreções espessas, pólipos e tecidos inflamados.

Mesmo após a cirurgia, o acompanhamento conjunto com o dentista segue fundamental para evitar recidivas.

Em casos de dor de rosto acompanhada de mau cheiro no nariz, histórico recente de procedimentos na arcada superior ou problemas antigos nos dentes, médicos recomendam não adiar a avaliação.

Um diagnóstico correto, que leve em conta tanto o nariz quanto a boca, reduz o uso desnecessário de remédios, encurta o tempo de tratamento e ajuda a preservar dentes e seios da face saudáveis.

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