
Pare de fugir desta gordura: ela tem mais vitaminas que quase tudo
Trilux/CNA
É comum, em dietas restritivas, as gorduras saturadas serem colocadas todas no mesmo grupo, o que afasta um ingrediente típico da culinária brasileira: o azeite de dendê.
Dados de tabelas oficiais de composição de alimentos, como TACO e TBCA, mostram que evitar esse óleo por completo pode significar abrir mão de uma das fontes mais concentradas de compostos ligados à proteção da imunidade e da visão.
O segredo vitamínico escondido no dendê
O temor em relação ao azeite de dendê começa pela leitura da sua composição. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), 100 gramas do produto concentram 43,1 gramas de gorduras saturadas, o que costuma levar muitas pessoas a bani-lo do prato de forma definitiva.
As mesmas bases de dados, porém, apontam outra informação relevante: o azeite de dendê está entre as maiores fontes naturais de carotenoides da biodiversidade brasileira.
Esses pigmentos, responsáveis pela coloração alaranjada característica, funcionam como precursores biológicos da vitamina A e transformam o óleo em um concentrado de nutrientes de alto impacto.
Ao analisar a biodiversidade nacional, pesquisadores destacam que poucos alimentos reúnem, ao mesmo tempo, tanta densidade de carotenoides e tanta presença na mesa do brasileiro quanto o dendê, sobretudo em pratos tradicionais de regiões Norte e Nordeste.
Como a vitamina A protege seu organismo
Para entender o papel desse nutriente, o portal eLENA (e-Library of Evidence for Nutrition Actions), mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reúne evidências sobre a importância da vitamina A.
De acordo com a plataforma, o consumo adequado desse micronutriente é fundamental para o funcionamento do sistema imunológico e para a manutenção da integridade dos olhos.
As orientações compiladas pela OMS indicam que a vitamina A ajuda o organismo a responder melhor a infecções, participa da renovação de tecidos e é peça-chave na prevenção de deficiências que podem levar à cegueira evitável, especialmente em crianças e gestantes.
Há ainda um aspecto fisiológico decisivo: a vitamina A é lipossolúvel, ou seja, precisa de um meio gorduroso para ser dissolvida e aproveitada pelo corpo.
Nesse cenário, as gorduras presentes no azeite de dendê funcionam como uma matriz que facilita a absorção dos carotenoides e sua conversão em vitamina A, favorecendo o uso eficiente desses compostos pelo organismo.
Como incluir o azeite nacional sem sabotar a dieta
Transformar o dendê de vilão em aliado passa pelo modo de uso. O Guia Alimentar para a População Brasileira orienta que óleos e gorduras sejam utilizados em pequenas quantidades, para temperar e cozinhar alimentos in natura ou minimamente processados, dentro de um padrão alimentar variado e equilibrado.
Na prática, isso significa que o azeite de dendê pode entrar em preparações tradicionais, como moquecas, ensopados, caldos com peixes e raízes ou refogados de vegetais, em fios discretos, apenas o suficiente para conferir cor, aroma e sabor característicos.
Ao invés de servir como base de frituras frequentes ou aparecer em grandes volumes, o produto ganha espaço como complemento pontual do prato, somando sua carga de carotenoides a uma refeição que já traga legumes, frutas, grãos integrais e fontes magras de proteína.
Consumido com moderação e inserido em uma dieta equilibrada, o azeite de dendê deixa a posição de inimigo das dietas restritivas e passa a ser visto como um ingrediente nacional capaz de contribuir para a imunidade e a saúde ocular.
Ainda assim, a recomendação é sempre ajustar o consumo com orientação de profissionais de saúde.

