Saúde

Emoção da Copa do Mundo pode aumentar o risco de infarto em jogos

Cardiologista alerta que estresse, adrenalina e picos de pressão arterial durante partidas tensas representam perigo real para torcedores com fatores de risco cardiovasculares

Da redação
DA REDAÇÃO

06/06/2026 • 11:33 • Atualizado em 06/06/2026 • 11:33

Tensão dos jogos aumenta risco de infartos, alerta cardiologista

Tensão dos jogos aumenta risco de infartos, alerta cardiologista

Gerado por IA

Com a chegada da Copa do Mundo, milhões de torcedores se preparam para viver uma verdadeira montanha-russa de emoções. Gritos de gol, a tensão das cobranças de pênaltis, viradas inesperadas e decisões nos últimos minutos fazem parte da magia de acompanhar a seleção. No entanto, o que muitos deixam passar batido é que toda essa carga emocional pode cobrar um preço alto da saúde cardiovascular.

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Embora o futebol seja sinônimo de festa e união, os jogos decisivos funcionam como um teste de estresse para o organismo. O sinal de alerta acende principalmente para quem já convive com fatores de risco preexistentes, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardíacas.

O perigo por trás da descarga de adrenalina

De acordo com o cardiologista Marcelo Bergamo, a combinação entre o estresse emocional e a excitação extrema pode sobrecarregar o sistema cardiovascular a níveis perigosos. "Durante uma partida decisiva, o corpo libera uma grande quantidade de hormônios como adrenalina e cortisol. Isso provoca aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. Em pessoas predispostas, esse cenário pode favorecer eventos cardiovasculares graves, incluindo o infarto agudo do miocárdio", explica o especialista.

O médico faz um esclarecimento crucial: o futebol, por si só, não é a causa direta do ataque cardíaco, mas sim o estopim de um problema preexistente. "Não é o jogo que causa o infarto. O problema é quando uma pessoa já possui placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco e é submetida a um pico intenso de estresse, ansiedade e descarga de adrenalina. A partida pode funcionar como um gatilho para um evento que já estava prestes a acontecer", destaca Bergamo.

Combinação perigosa: emoção e excessos fora de campo

Além do nervosismo com o placar, os hábitos cultivados durante os dias de jogos da seleção também jogam contra o coração. O período de Copa do Mundo costuma ser acompanhado pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas, alimentação rica em gordura e sódio (como os tradicionais petiscos de estufa e churrascos), noites mal dormidas e o sedentarismo.

Quando o torcedor passa horas sentado, comendo e bebendo além do habitual, e ainda enfrenta momentos de forte ansiedade, o coração sofre uma sobrecarga significativa. A somatória desses fatores cria o ambiente perfeito para uma emergência médica.

Como torcer com segurança?

Para que a Copa do Mundo seja lembrada apenas pelas comemorações, é possível adotar medidas simples de prevenção. Confira as orientações do especialista para blindar a sua saúde:

Não abuse nos petiscos e bebidas: Modere o consumo de álcool e evite alimentos ultraprocessados, muito salgados ou gordurosos.

Mantenha a hidratação: Intercale o consumo de bebidas alcoólicas com copos de água.

Siga a risca o tratamento: Nunca suspenda ou esqueça de tomar os medicamentos de uso contínuo (especialmente remédios para pressão alta e diabetes).

Sinais de alerta: fique atento aos sintomas

Se você ou alguém ao seu lado apresentar os seguintes sintomas durante a partida, procure atendimento médico imediatamente: "Nunca ignore esses sinais. Quanto mais rápido o atendimento médico for iniciado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas", reforça o cardiologista Marcelo Bergamo.

  • Dor, peso ou sensação de aperto no peito;
  • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
  • Suor frio repentino;
  • Tontura, desmaio ou náuseas;
  • Desconforto que se irradia para o braço (principalmente o esquerdo), costas ou mandíbula.