Saúde

Explosão de casos de sarampo nas Américas faz Opas acionar alerta; entenda

Alta é puxada por EUA, México e Canadá, onde maioria dos infectados não tinha vacinação comprovada

Da redação
DA REDAÇÃO

04/02/2026 • 17:53 • Atualizado em 04/02/2026 • 17:53

Vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo, doença viral altamente contagiosa

Vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo, doença viral altamente contagiosa

Fernando Frazão/Agência Brasil

O aumento de quase 23 vezes no número de casos de sarampo nas Américas na passagem de 2024 para 2025 levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), a emitir um alerta aos países da região.

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Em 2025, o continente registrou 14.891 casos da doença, um salto em relação aos 446 contabilizados no ano anterior. Foram 29 mortes no período. Já em 2026, a comparação indica crescimento ainda mais acentuado.

Em janeiro, dados parciais da Opas apontam 1.031 casos, número quase 45 vezes superior aos 23 registrados no mesmo mês de 2025. Não há confirmação de mortes até o momento. Tanto nos dados consolidados de 2025 quanto nos parciais de 2026, a grande concentração de casos está na América do Norte.

No ano passado, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) responderam por quase 95% dos casos no continente (14.106). Em 2026, os três países somam 948 registros, o equivalente a 92% das notificações nas Américas.

O alerta da Opas destaca que a maioria dos casos ocorre entre pessoas sem histórico de vacinação contra a doença. Nos Estados Unidos, 93% dos infectados não estavam vacinados ou apresentavam situação vacinal desconhecida. No México, esse percentual foi de 91,2%; no Canadá, de 89%.

A organização afirma que “o aumento acentuado dos casos de sarampo na região das Américas durante 2025 e no início de 2026 constitui um sinal de alerta que requer uma ação imediata e coordenada por parte dos Estados Membros”. Em novembro do ano passado, a Opas já havia retirado do continente o certificado de região livre da transmissão do sarampo.

Brasil mantém status de país livre do sarampo

O Brasil registrou 38 casos em 2025, sendo praticamente todos (36) em pessoas sem histórico de vacinação. Em 2024, haviam sido contabilizados quatro registros. Em 2026, até o momento, não há casos confirmados. Apesar do aumento de um ano para o outro, o país mantém o status de país livre do sarampo.

Segundo a Opas, dos 38 casos confirmados em 2025, dez foram classificados como importados (quando a infecção ocorre fora do paí), 25 como relacionados à importação e três tiveram fonte de infecção desconhecida. Os registros ocorreram no Distrito Federal (1), Maranhão (1), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1) e Tocantins (25).

Risco de importação mantém vigilância contra sarampo no Brasil

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, afirma que o aumento de casos na América do Norte ocorre em um momento em que o Brasil tem conseguido controlar a doença. Ele lembra que o país recuperou, em 2024, o certificado de livre do sarampo.

Em 2018, com o aumento do fluxo migratório e a baixa cobertura vacinal, o vírus voltou a circular no país. Em 2019, após um ano de transmissão sustentada, o Brasil perdeu o status. Para Kfouri, o avanço da doença em outros países do continente representa um “risco constante” ao Brasil, devido à intensa circulação de pessoas.

Voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para cá fazem com que seja inexorável a entrada de alguém com sarampo no nosso território. Renato Kfouri

Segundo ele, o principal desafio é manter a vigilância ativa e as altas coberturas vacinais para impedir que casos importados resultem em transmissão sustentada. “Precisamos reconhecer rapidamente os casos suspeitos que entram no país e garantir coberturas vacinais elevadas, para que essas infecções não se espalhem."

Entenda a doença

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, que pode evoluir para complicações graves e levar à morte. Os sintomas incluem febre, tosse, coriza, perda de apetite e conjuntivite, com olhos vermelhos, lacrimejantes e sensibilidade à luz.

Também surgem manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto, atrás das orelhas, e se espalham pelo corpo. Dor de garganta e descamação da pele, semelhante a queimaduras, também podem ocorrer. Entre as complicações estão cegueira, pneumonia e encefalite, inflamação do cérebro.

Vacinação

A principal forma de prevenção é a vacinação, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e incluída no calendário básico infantil. A primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses de idade, e a segunda, aos 15 meses.

Pessoas de até 59 anos que não tenham comprovante de vacinação ou não tenham completado o esquema devem atualizar a carteira vacinal. O governo realiza campanhas regulares de imunização.

Dados preliminares do Ministério da Saúde indicam um “avanço expressivo” da cobertura da tríplice viral em 2025 em relação a 2022. A cobertura passou de 80,7% para 93,78%, enquanto a aplicação da dose de reforço subiu de 57,6% para 78,9%. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, a cobertura mínima necessária para evitar surtos é de 95%.

Recomendações

Entre as recomendações da Opas estão:

  • Reforçar, com caráter prioritário, as atividades de vigilância e vacinação de rotina e a garantirem uma resposta rápida e oportuna aos casos suspeitos;
  • Implementar pesquisas ativas nas comunidades, instituições e laboratórios para a identificação precoce de casos;
  • Desenvolver atividades complementares de vacinação destinadas a eliminar as lacunas de imunidade.

Ações do ministério

Procurado, o Ministério da Saúde informou que tem orientado estados e municípios a reforçar a vigilância epidemiológica, a vacinação e as ações de prevenção. “As medidas incluem a investigação rápida de casos suspeitos e a ampliação das coberturas vacinais”, afirmou a pasta em nota.

Em 2025, segundo o ministério, o Brasil intensificou a vacinação em áreas de fronteira com a Bolívia e doou mais de 640 mil doses da vacina ao país vizinho. Também houve reforço das ações em municípios fronteiriços com Argentina e Uruguai e em cidades turísticas e de grande fluxo de pessoas.

Com informações da Agência Brasil.

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