Saúde

Fiocruz firma parceria para produzir remédio contra esclerose múltipla

Transferência de tecnologia da cladribina reforça autonomia nacional e amplia acesso pelo SUS

Da redação
DA REDAÇÃO

27/02/2026 • 16:00 • Atualizado em 27/02/2026 • 16:00

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A Fiocruz anunciou uma nova parceria com a Merck e a Nortec Química para viabilizar a produção nacional da cladribina oral, medicamento indicado para o tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Comercializado como Mavenclad, o fármaco já é ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS) e, com o acordo de transferência de tecnologia, passará a ser fabricado no Brasil.

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A iniciativa integra as ações estratégicas do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) e tem como objetivo ampliar a autonomia produtiva nacional, reduzir a dependência de importações e garantir o abastecimento contínuo do tratamento. Segundo a Fiocruz, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla — 85% deles mulheres.

O presidente da fundação, Mario Moreira, afirmou que o acordo amplia a carteira de produtos ofertados ao SUS e fortalece a cooperação tecnológica com parceiros nacionais e internacionais. “A importância estratégica de um laboratório público é consolidar o Ceis para garantir a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos”, declarou.

A produção será formalizada entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e a Merck. Para Silvia Santos, diretora de Farmanguinhos, a parceria representa um avanço no acesso a tratamentos inovadores produzidos em território nacional. Ela destacou que a cladribina será o primeiro medicamento disponibilizado pelo instituto especificamente para esclerose múltipla, ampliando o portfólio atualmente voltado também a doenças negligenciadas e terapias de alto valor agregado.

Tratamento de curta duração

A cladribina é considerada inovadora por ser o primeiro tratamento oral de curta duração com efeito prolongado para EMRR. O protocolo prevê administração em até 20 dias ao longo de dois anos, com benefícios que podem se estender por até quatro anos, reduzindo surtos e retardando a progressão da doença.

O medicamento é atualmente o único tratamento para esclerose múltipla incluído na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Novas análises apresentadas no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) indicaram redução de lesão neuronal após dois anos de uso da cladribina oral. Em acompanhamento de mediana de 11 anos com 435 pacientes, 90% não precisaram de cadeira de rodas; 81,2% não necessitaram de apoio para caminhar; e 55,8% não precisaram recorrer a outro medicamento para a doença.

A Merck mantém outras duas parcerias com a Fiocruz no Brasil, incluindo a produção da betainterferona 1a (Rebif), também indicada para esclerose múltipla, em colaboração com Bio-Manguinhos/Fiocruz e a Bionovis, além da transferência de tecnologia do arpraziquantel, voltado ao tratamento da esquistossomose infantil.

Famosos que convivem com a doença

A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central e pode causar sintomas como fadiga intensa, alterações motoras, dificuldades cognitivas e problemas de visão. Diversas personalidades tornaram público o diagnóstico, contribuindo para ampliar a conscientização sobre a condição.

No Brasil, a atriz Claudia Rodrigues convive com a doença desde 2000 e já falou abertamente sobre as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, especialmente no período inicial sem tratamento adequado.

A também atriz Ana Beatriz Nogueira recebeu o diagnóstico em 2009 e afirmou recentemente que a doença não apresentou progressão significativa nos últimos anos, ressaltando a importância do acompanhamento contínuo.

Guta Stresser revelou o diagnóstico em 2022, após perceber sintomas como falhas cognitivas e dificuldade de coordenação motora.

No cenário internacional, a atriz norte-americana Christina Applegate anunciou em 2021 que foi diagnosticada com esclerose múltipla e relatou os desafios da fadiga severa na rotina. Já Selma Blair, diagnosticada em 2018, tornou-se uma referência ao compartilhar publicamente etapas do tratamento e o uso de dispositivos de mobilidade.

Especialistas ressaltam que, embora ainda não haja cura, o avanço terapêutico tem permitido maior controle da doença e melhora na qualidade de vida dos pacientes. A produção nacional da cladribina oral é vista como mais um passo nesse processo, ampliando o acesso a uma terapia considerada estratégica para o tratamento da esclerose múltipla no país.

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