
Carnaval
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Para quem pretende encarar a maratona de blocos no Carnaval, a festa vai muito além da fantasia e da música. Horas em pé, caminhadas extensas sob sol forte, noites mal dormidas e consumo de álcool colocam o corpo sob estresse intenso, especialmente entre pessoas que passam longos períodos sedentárias ao longo do ano.
Segundo especialistas, a combinação desses fatores pode levar a problemas como desidratação, queda de pressão, exaustão, lesões musculares e articulares e até quadros mais graves relacionados ao calor excessivo.
“O Carnaval exige preparo e, principalmente, bom senso. Pequenas atitudes ajudam a evitar excessos que acabam interrompendo a festa por questões de saúde”, explica o clínico geral Felipe Duarte Silva, gerente de práticas médicas do Hospital Sírio-Libanês. De acordo com ele, a ideia de que o corpo “aguenta tudo” é um erro comum durante o período.
Calor intenso aumenta riscos
A exposição prolongada ao sol é um dos principais fatores de risco durante o Carnaval. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o calor excessivo pode comprometer a capacidade do corpo de regular a própria temperatura, favorecendo quadros de insolação, exaustão térmica, desidratação e até alterações renais e cardíacas, sobretudo quando há esforço físico e alta umidade.
Por isso, a hidratação deve ser constante ao longo do dia. “Não é apenas beber água quando sente sede, mas garantir a reposição frequente de líquidos”, orienta o médico. O cuidado precisa ser redobrado quando há consumo de bebidas alcoólicas, que têm efeito diurético e podem agravar a desidratação.
Um sinal de alerta está na coloração da urina. “Quanto mais clara, melhor. Urina escura, boca seca, tontura e sede intensa indicam que o corpo já está desidratado”, afirma.
Atenção ao álcool e à procedência das bebidas
Além da quantidade ingerida, a procedência do álcool também merece atenção. “É importante optar por bebidas de origem conhecida. Já houve episódios graves de intoxicação por metanol, inclusive associados a bebidas mais baratas e sem procedência clara”, alerta o especialista.
Protetor solar e calçados adequados
O uso de protetor solar é indispensável e deve ser reaplicado ao longo do dia, inclusive em regiões frequentemente esquecidas. “Couro cabeludo, orelhas e lábios são áreas sensíveis. A queimadura solar não é apenas um desconforto momentâneo e pode evoluir para lesões mais graves”, explica Felipe.
Do ponto de vista musculoesquelético, pés, tornozelos e joelhos são as regiões mais sobrecarregadas durante a folia. Por isso, o uso de calçados fechados e confortáveis, como tênis, reduz o risco de torções, cortes e pisoteamentos. Andar de chinelo ou descalço em meio à multidão aumenta significativamente as chances de acidentes.
Alimentação e recuperação também fazem parte do cuidado
Durante o Carnaval, a alimentação costuma ser deixada de lado, mas isso pode agravar o cansaço e favorecer quedas de pressão. “O álcool pode dar uma falsa sensação de saciedade, mas não nutre. Comer regularmente e optar por alimentos leves e de procedência confiável ajuda a evitar mal-estar”, explica o médico.
Para quem exagerou, o dia seguinte deve ser dedicado à recuperação, com hidratação, refeições leves e descanso. Em casos de febre, dor muscular intensa ou mal-estar persistente, a recomendação é procurar atendimento médico.
Carnaval com saúde: orientações básicas
- Hidratação: beba água ao longo do dia e não espere sentir sede. Ao consumir álcool, intercale com água.
- Proteção solar: use protetor solar e reaplique a cada duas horas, inclusive no couro cabeludo, orelhas e lábios.
- Roupas e calçados: prefira roupas leves e calçados fechados e confortáveis, como tênis.
- Alimentação: não pule refeições. O álcool não substitui a alimentação e pode mascarar sinais de fraqueza.
- Saúde sexual: o uso de preservativo é fundamental para prevenir infecções sexualmente transmissíveis.
- Respeito aos limites do corpo: evite virar noites consecutivas sem descanso e fique atento aos sinais de exaustão.

