Resumo
Homem de 36 anos apresentou reação grave ao pigmento vermelho de tatuagem, desenvolvendo eritrodermia, alopecia universal, anidrose e vitiligo, sendo submetido a sete cirurgias para remoção do pigmento.
Médicos da Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia, relataram o caso como extremamente raro, destacando hipersensibilidade tardia a substâncias presentes na tinta vermelha e inflamação recorrente nas áreas pigmentadas.
Tratamento incluiu medicamentos imunossupressores e baricitinibe, resultando em recuperação parcial, porém com sequelas permanentes como anidrose, e alerta para pessoas com doenças autoimunes sobre riscos ao fazer tatuagens.
Um homem de 36 anos precisou ser submetido a sete cirurgias para remoção de uma tatuagem após desenvolver uma reação rara e grave ao pigmento vermelho. O caso resultou em uma série de complicações sistêmicas, incluindo vermelhidão intensa em todo o corpo (eritrodermia), perda total de cabelo (alopecia universal), incapacidade de suar (anidrose) e vitiligo.
O caso foi descrito por médicos da Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia, e publicado na revista científica Clinical Practice. Segundo os especialistas, trata-se de uma manifestação extremamente rara e sem registros semelhantes na literatura médica até então.
Sintomas começaram meses após a tatuagem
Os primeiros sintomas surgiram cerca de quatro meses após a realização da tatuagem, feita em 2020, no antebraço direito, com uso de pigmento vermelho. O paciente passou a apresentar coceira intensa, descamação da pele e lesões que se espalharam progressivamente, evoluindo para eritrodermia.
Com a progressão do quadro, ele desenvolveu alopecia universal e, meses depois, anidrose completa — condição que impede o corpo de regular a temperatura por meio do suor, aumentando o risco de superaquecimento. Em 2022, surgiram ainda manchas de vitiligo, que passaram a atingir cerca de 30% da superfície corporal.
Hipersensibilidade à tinta vermelha
Exames dermatológicos e testes alérgicos indicaram uma reação de hipersensibilidade tardia a substâncias possivelmente presentes na tinta vermelha da tatuagem, como compostos de cromo e formaldeído. Embora a composição exata do pigmento não tenha sido confirmada, os médicos observaram que as inflamações reapareciam especificamente nas áreas com tinta vermelha.
Entre novembro de 2021 e junho de 2022, o paciente passou por sete procedimentos cirúrgicos para retirada progressiva dos fragmentos da tatuagem. A remoção completa do pigmento ajudou a controlar a inflamação da pele, mas não foi suficiente para reverter todas as complicações.
Tratamento complexo e sequelas permanentes
Após tentativas sem sucesso com corticoides, imunossupressores e outros medicamentos, os médicos optaram pelo uso de baricitinibe, um inibidor de JAK indicado para doenças autoimunes. O tratamento possibilitou a retomada do crescimento capilar e interrompeu a progressão do vitiligo, mas a anidrose permaneceu irreversível.
Biópsias indicaram destruição e fibrose das glândulas sudoríparas, sugerindo dano estrutural permanente. Atualmente, o paciente utiliza estratégias externas, como borrifadores de água, para evitar superaquecimento e relata limitações significativas para atividades físicas e trabalho.
Alerta para pessoas com doenças autoimunes
O paciente já tinha diagnóstico de tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune, o que pode ter contribuído para a reação exacerbada do sistema imunológico. Os autores do estudo alertam que pessoas com histórico de doenças autoimunes, alérgicas ou dermatológicas devem ter cautela antes de fazer tatuagens.
O artigo também destaca que, à época da tatuagem, ainda não havia regulamentação rigorosa sobre a composição das tintas na União Europeia — normas que só entraram em vigor em 2022. Mesmo assim, os médicos ressaltam que reações graves podem ocorrer mesmo com produtos regularizados.

